Jornal de Brasília: Juros mercado aposta em mais um corte na reunião do COPOM


Redução de um ponto

O Comitê de Política
Monetária do Banco
Central (Copom) deve
reduzir a taxa básica de juros em
mais um ponto percentual, em
reunião que começa hoje e termina
amanhã. A previsão é dos
economistas ouvidos pelo próprio
Banco Central na pesquisa
semanal Focus. A taxa Selic deve
cair dos atuais 12,75% ao ano
para 11,75% ao ano. Na última
reunião do Copom, em janeiro,
o BC cortou a taxa Selic de
13,75% para 12,75% ao ano.Foi
o maior corte de juros em cinco
anos.

Até o final do ano, a taxa
básica de juros deve cair para
10,25% ao ano, de acordo com a
pesquisa. A redução dos juros é
uma tentativa de frear a desaceleração
da economia em
2009. Na pesquisa divulgada
hoje, os economistas reduziram
mais uma vez a previsão de
crescimento do Produto Interno
Bruto – PIB –, soma das riquezas
produzidas no período).
A estimativa de crescimento
da economia brasileira em 2009
foi reduzida de 1,5% para 1,2%.
O número está abaixo dos 3,2%
estimados pelo próprio BC e dos
4% previstos no Orçamento deste
ano. Para 2010, a previsão é
de uma expansão de 3,5%.

Mais uma porta

O economista-chefe da LCA
Consultores, Braulio Borges,
afirmou que a queda do Nível de
Utilização da Capacidade Instalada
(Nuci) das indústrias
apurada pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI), que
variou de 79,4% em dezembro
para 78,4% em janeiro, “abre
ainda mais a porta” para que o
Banco Central reduza os juros
básicos acima de um ponto porcentual
amanhã. “Acredito que
seria oportuna uma redução de
1,5 a dois pontos porcentuais
pelo Copom para que ocorra um
choque nas expectativas dos
agentes econômicos”, comentou.
“A produção industrial em
janeiro foi frustrante e subiu
muito pouco ante dezembro, o
que levou o Nuci para o menor
número desde novembro de
2003”, destacou.

De acordo com Borges, a
ociosidade da indústria mostra
que o nível de atividade da economia
requer um movimento de
distensão monetária mais rápido
por parte do BC, o que deve levar
os juros para a marca de 10,5%
até o final de junho – a Selic hoje
está em 12,75%.

Para ele, como o Brasil registra
uma forte desaceleração, o
que deve levar o Produto Interno
Bruto (PIB) de um crescimento
estimado em 5,3% em 2008
para 2,4% neste ano, o Nuci
contabilizado pela CNI deve cair
ainda maisemfevereiro e março,
quando deve atingir uma faixa
entre 76% e 77%. Para Borges, a
importância de uma redução da
Selic entre 1,5 ponto e dois
pontos porcentuais é que indicaria
a empresários e famílias
que o BC está atento à redução
abrupta da demanda agregada e
dos investimentos numa conjuntura
de inflação sob controle.

O presidente da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea),
Jackson Schneider, afirmou ontem
que espera que o Copom
realize um corte de um ponto
porcentual na taxa. “Se vier mais
do que isso vou ficar muito feliz”,
afirma. O executivo ressaltou, no
entanto, que o efeito concreto da
redução da Selic demora para
chegar ao consumidor final, já
que depende do repasse do setor
financeiro.

Terceira queda consecutiva

As taxas de juros do empréstimo
pessoal e do cheque
especial apresentaram queda em
março, na comparação com fevereiro,
de 0,09 ponto porcentual
e 0,01 ponto porcentual,
respectivamente, segundo pesquisa
da Fundação deProteção e
Defesa do Consumidor (Procon-
SP) divulgada ontem. Foi a
terceira queda mensal consecutiva
apurada pela entidade.

Entretanto, a fundação ressaltou
que as reduções “não foram
muito expressivas” e criticou
o nível do spread (diferença entre
as taxas de captação e de
empréstimo cobradas pelos bancos),
que considera elevado. O
levantamento foi realizado na
terça-feira da semana passada,
junto ao Banco do Brasil (BB),
Bradesco, Caixa Econômica Federal
(CEF), HSBC, Itaú, Nossa
Caixa, Real, Safra, Santander e
Unibanco.

No empréstimo pessoal, a
taxa média dos bancos foi de
5,80% ao mês em março, resultado
inferior ao de fevereiro,
que foi de 5,89% ao mês. A taxa
equivalente ao ano foi de
96,80%. A Fundação Procon
atribuiu o recuo este mês ao
Banco Real, que foi a única
instituição a diminuir sua taxa,
de 7,35% para 6,36%. Na contramão,
o HSBC foi o único a
elevar a sua taxa, de 4,57% para
4,70% ao mês. Os demais bancos
mantiveram as taxas inalteradas.
A taxa mais alta foi
encontrada no Itaú (7,01%), e a
mais baixa, na Caixa (4,39%).

Cheque especial

Já no cheque especial, a taxa
média verificada pelo Procon foi
de 9,17% em março, ante a taxa
de 9,18% registrada no mês
anterior. No ano, a taxa média
equivalente foi de 186,64%. A
única alteração no mês foi promovida
pelo HSBC, que reduziu
sua taxa de 9,57% para 9,47%
ao mês. A menor taxa foi da
Caixa (7,35%), e a maior, do
Safra (12,30%).

A Fundação Procon-SP ressaltou
que os cortes das taxas de
juros aplicados pelas instituições
financeiras devem ser vistos com
cautela pelos consumidores. “Os
spreads bancários estão em níveis
muito altos, fazendo com
que o Brasil lidere o ranking
mundial da taxa de juros reais”,
apontou. A entidade alertou aos
consumidores que evitem dívidas,
com a queda generalizada
da renda, o orçamento apertado
e a ameaça de desemprego. “Se
puder, convém esperar taxas
mais convidativas. Deve evitar,
sobretudo, a utilização do cheque
especial, que tem uma das
maiores taxas do mercado”, recomendou.

De acordo com especialistas,
as reduções são fruto da queda
na taxa Selic, que demora um
pouco mais a chegar na ponta,
ou seja, no consumidor final. E,
se confirmada a tendência de
mais um corte na taxa Selic,
ainda esta semana, a expectativa
é de novas quedas nos próximos
meses, embora em proporções
menores, já que os bancos temem
a inadimplência.

Fonte: Jornal de Brasília

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