Jornal de Brasília: Mulheres pela paz

ESFORÇO 200 mediadoras combaterão a violência doméstica

Os bairros Arapoanga,
em Planaltina, Estrutural
e Itapoã, no Paranoá,
ganharam um reforço
no combate à violência doméstica
contra crianças e jovens.
A partir do mês de maio,
200 mulheres estarão batendo
de porta em porta na comunidade
onde moram para diagnosticar
os problemas sociais
de cada família. Além da violência,
essas mulheres farão
um verdadeiro mapeamento
das situações de conflito em
relação à educação, saúde, desemprego
e violação de direitos.
Pela missão, receberam o
título de Mulheres da Paz.

A novidade foi anunciada
no início da tarde de ontem no
Auditório Ulysses Guimarães.
Essas mulheres passaram por
um processo de seleção onde
foram avaliadas por um psicólogo
para saber se tinham
capacidade para exercer a função
de mediadoras da paz. O
trabalho é uma estratégia do
governo em reduzir não apenas
os índices de criminalidade,
mas identificar e solucionar
por meio de elaboração de políticas
públicas as questões que
afetam diretamente no desenvolvimento
da cidade. “Elas serão
nosso braço direito”, afirmou
Eliana Pedrosa, da Secretaria
de Desenvolvimento
Social e Transferência de Renda
(Sedest).

A ideia faz parte do Programa
Nacional de Segurança
Pública com Cidadania (Pronasci)
do Ministério da Justiça.
Antes de iniciarem as atividades,
essas mulheres vão participar
de um projeto de capacitação
de 45 dias. Durante
o treinamento elas aprenderão
a se comportar diante de cada
situação e a conversar, além de
ter aulas de cidadania, direitos
humanos, Estatuto da Criança
e do Adolescente e noções de
informática. Cada uma produzirá
um relatório do trabalho
realizado durante a semana.

A inscrição para participar
do programa ocorreu no mês
passado. Quase 800 mulheres
se cadastraram para participar
do projeto, mas apenas 200 –
sendo 90 da Estrutural, 55 do
Itapoã e 55 de Arapoanga –
foram aprovadas. Elas receberão
uma bolsa social de R$
190 por 12 horas de serviços
semanais por meio de verba do
Governo Federal. Entre os requisitos
para integrar a equipe
estava ser maior de 18 anos, ter
concluído pelo menos até a 4ª
série e ter renda inferior a dois
salários mínimos.

A princípio, o programa
tem duração de um ano para
ser avaliado. Caso dê certo, a
expectativa do governo é expandir
a ação para outras cidades
do Distrito Federal onde
há situação de vulnerabilidade
maior. Recanto das Emas,
Santa Maria e Riacho Fundo II
estão entre as próximas cidades
a serem beneficiadas.

Além da bolsa de R$ 190, o
governo irá oferecer o auxílio
Bolsa Escola para as mediadoras
da paz que tiverem filhos
matriculados em instituições
de ensino. O valor é de R$ 130
para um filho e aumenta R$ 30
a cada criança que estiver estudando.
Para aquelas que tiverem
filhos com menos de
sete anos, Eliana Pedrosa disse
ainda que poderão participar
do programa Pão e Leite, do
Governo Federal. “Para vocês
nos atenderem bem, nós temos
que atender bem vocês também”,
ressaltou Eliana Pedrosa.
A cada mês, as mulheres
das comunidades beneficiadas
participarão de uma reunião
para discutir os problemas de
cada localidade.

ONTEM, AS SELECIONADAS PELO PROGRAMA PARTICIPARAM DA AULA INAUGURAL, QUE TEVE PALESTRA DA SECRETÁRIA ELIANA PEDROSA

“Para vocês nos atenderem bem, nós temos que atender bem vocês também”
ELIANA PEDROSA, TITULAR DA SEDEST, SOBRE BENEFÍCIOS SOCIAIS CONCEDIDOS ÀS MULHERES SELECIONADAS

Expectativa pelos resultados

Iranilda Maranhão de
Souza, 39 anos, e a amiga
Jussara Ferreira da Silva, 30,
são duas das mulheres selecionadas
para diagnosticar e
denunciar os problemas da comunidade
onde vivem. Elas
moram no bairro Arapoanga,
em Planaltina, considerado
um dos mais violentos do Distrito
Federal. “É muito bom
poder ajudar de alguma forma
porque onde eu moro é muito
violento”, avalia Jussara. “Éum
projeto muito interessante.
Acho que a população só tem a
ganhar”, acrescenta Iranilda.

As mulheres selecionadas
para participar do programa
estão cientes da responsabilidade.
Elas atuarão apenas na
comunidade onde moram a
fim de que o trabalho aconteça
com tranquilidade. “Não tenho
medo do trabalho. Sei que
vou enfrentar muitos problemas,
mas a violência existe em
qualquer lugar. Não dá para
ficar trancada dentro de casa
quando posso ajudar o próximo”,
explica Sandriele Gomes,
21 anos, que é moradora
da Estrutural.

Dúvidas

O projeto de levar a paz
para dentro das comunidades
carentes do Distrito Federal
tem criado expectativa não apenas
para o governo, mas também
para os moradores. “Na
Estrutural também tem gente
trabalhadora.Éuma cidadenova,
mas que ainda vai ser vista
com outros olhos”, disse otimista
Sandriele Gomes.

Algumas ainda tem dúvidas
de como atuar. “Não sei
como começar o trabalho na
minha quadra porque as pessoas
de lá são muito fechadas,
mas acho que durante o curso
vou aprender”, disse Marinalva
Pereira, de 37 anos. O serviço,
além de trazer um sentimento
de colaboração será um auxílio
a mais na renda familiar e um
aprendizado para as mulheres.
“O dinheiro vai ajudar com
certeza, mas o mais importante
é que vou poder crescer
com o projeto. Também vai ser
bom para o meu currículo”,
avalia Jussara da Silva, 30
anos, do Arapoanga.

Asecretária Eliana Pedrosa
afirma que tem buscado parcerias
com instituições a fim
de capacitar as mulheres profissionalmente,
seja com curso
de manicure, cabeleireiro ou
maquiagem. Durante o trabalho
em prol da paz, as mulheres
participarão de reuniões
mensais e a cada três meses
irão visitar as demais cidades
para saber como tem sido o
trabalho por lá.

Fonte: Jornal de Brasília

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