Jovens discutem comunicação

A I Conferência Nacional Livre – Juventude e Comunicação reuniu jovens de todo o País, em São Paulo, no último dia 25 de julho. Os jovens presentes debateram propostas e temas a serem encaminhados à Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que ocorre em dezembro deste ano.

Os jovens têm contribuição importante para o debate sobre a comunicação no Brasil, grande parte das campanhas publicitárias e de produtos de comunicação são dedicados aos jovens com idades entre 12 e 29 anos.

Esses jovens são os grandes consumidores dos produtos produzidos pela comunicação de massa. Os desejos e sonhos dessa categoria influenciam a produção de programas para rádio, TV, revistas e jornais. Assim o debate sobre a comunicação não seria completo sem a participação dos jovens.

“O Sindjus acredita que, por meio, do diálogo estabelecido com a juventude iremos conquistar a comunicação democrática nos meios de comunicação de massa do Brasil”, afirma o coordenador-geral do Sindjus, Roberto Policarpo.

Confira abaixo as propostas elaboradas pelos jovens durante o encontro a I Conferência Nacional Livre:

1. Imagem do jovem na mídia

1. Incremento da programação para crianças e adolescentes na grande mídia, com a intenção de trazer temas políticos, sociais e/ou culturais.

2. Usar os meios de comunicação como ferramenta de aprendizado para adolescentes e jovens.

2. Incentivar as(os) comunicadoras(es) adolescentes e jovens (juvenis) a propagar os meios de comunicação alternativos entre as(os) jovens que não têm contato com os mesmos como forma driblar os estereótipos exibidos na grande mídia.

3. Propor pautas à mídia tradicional que contemplem a realidade da juventude brasileira.

4. Articular parceria com o CONJUVE – Conselho Nacional da Juventude – de modo a pressionar o Governo Brasileiro para dar mais representatividade às(aos) jovens em eventos voltados para comunicação.

2. Participaçãopopular e controle social dos meios;

2.1. Construção de um marco legal (ex: estatuto) da comunicação elaborado pela sociedade civil com o poder público;

2.2. Financiamento público para mídias comunitárias e redirecionamento de parte da verba pública destinada a propaganda para veiculação em mídias comunitárias e alternativas.

2.3. Gestão compartilhada por meio de conselhos de comunicação quejá existem e criação de conselhos estaduais emunicipais.

2.4. Criar políticas públicas de disseminação do conceito da comunicação como um direito humano, em especial para adolescentes e jovens. Exemplos: Revista Viração,educom.radio, diálogos setoriais e outras iniciativas da área.

3. Internet e novas tecnologias

3.1. Transformar o acesso de altavelocidade à Internet em um direito, estabelecendo em todo o território nacional redes públicas de difusão dosinal de banda larga.

3.2. Estabelecer,no sistema público de ensino, um programa de formação em linguagens, técnicas, tecnologias, ética, princípiosde compartilhamento da comunicação livre.
3.3. Maior clareza,transparência e debate popular em ações que visemà regulamentação e normatização do acesso e uso da Internet.

3. 4 Qualificar o uso das “lan houses”, oferecendo aos usuários e proprietários estímulos fiscais e tarifários ede crédito para que disponibilizem, em contrapartida, serviços de formação como os descritos no tópico anterior.

4. Comunicação e diversidade

4.1. Garantir a inclusão e orespeito à diversidade étnica/racial, de gênero eidentidade de gênero, de orientação sexualreligiosa e política.

4.2. Ampliar acirculação dos produtos culturais, em especial deprodução independente, garantindo a consolidaçãode espaços de liberdade de expressão.

4.3. Que sejagarantida participação (não apenas nas campanhasde saúde) nas campanhas publicitárias institucionais à representação dos grupos étnicos-raciais, degênero e de identidade de gênero, religiosa e de orientação sexual.

4.4. Garantir políticas públicas de fomento à implementação dos pontos de mídia livre e independente.

4.5. Garantir, pormeio de políticas públicas, concessões deveículos comunitários por plebiscito popular pararádios em todo Brasil.

4.6. Garantir, pormeio de políticas públicas, a paridade de investimentopor Estado.

4.7. Estabelecer que o Conselho Nacional de Comunicação fiscalize os veículos de comunicação quanto às terminologias usadas em suas publicações,principalmente àquelas relacionadas aos direitos da criança e da(o) adolescente e juventude.

Propostas Mídia e Educação:

4.8. Que seja garantido, por meio depolíticas públicas, em todas as escolas públicasde ensino fundamental, médio e universidade, núcleos decomunicação gerenciados pelos estudantes.

4.9. Educação para mídia nas escolas estaduais por meio de educadores preparados para discutir e trabalhar o tema.

4.10. Produção e veiculação de conteúdos juvenis – concessãoe concentração dos veículos de comunicação.

4.11. Criarcentrais públicas de produção e formaçãoem comunicação, com disponibilização deequipamentos para interessados em construir seus próprios produtos;

4.12. Ampliar fundos públicos permanentes e com volume significativo derecursos para produção e veiculação de conteúdo realizado pela juventude;

4.13. Criar umConselho Nacional de Comunicação com ampla participação da sociedade civil, inclusive da juventude, para regulação dos meios de comunicação e das concessões, com mecanismos para evitar a predominância de interesses particulares no interior desse conselho;

4.14. Garantir quea comunicação seja pautada nos espaços de educação formal;

4.15. Democratizar a gestão das emissoras públicas e comunitárias com o fortalecimento da produção coletiva e compartilhada;

4.16. Estabelecer medidas anti-concentração horizontal, vertical e cruzada dos meios de comunicação, com a regulamentação do artigo 220 da Constituição Federal;

4.17. Garantir instrumentos de defesa contra violação dos Direitos Humanos nos meios de comunicação, especialmente dosdireitos das crianças e dos adolescentes;

4.18. Regulamentar tempo mínimo de veiculação de produção comunitária e independente nas TVs abertas e na TV por assinatura;

4.19. Reservar espectro para emissoras públicas e comunitárias no rádio e na televisão.

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