Correio Braziliense: Tumulto na escolha dos conselheiros

Eleições de ontem registraram problemas em pelo menos cinco cidades do Distrito Federal. Mesmo assim, os 165 novos nomes serão conhecidos na manhã de hoje

PMs organizaram filas em locais de votação, como no Paranoá

Eu acho…
“Essa bagunça é uma falta de respeito com a gente. Deixei almoço em casa, crianças, tudo para votar em uma coisa que não sou nem obrigada e ainda acontece isso. Atrasou quase uma hora o início da votação. Os computadores não funcionaram, é um absurdo. Fiquei mais de três horas na fila para votar. Os mesários não sabiam o que fazer, ninguém foi preparado direito, ninguém colocou ordem em nada.” Maria Zélia Santos, 46 anos, dona de casa e estudante, moradora do Paranoá

As eleições para conselheiros tutelares ficaram marcadas por muita confusão em todo o Distrito Federal. O sistema eletrônico, criado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), parou de funcionar logo no início do pleito e causou um rebuliço nos locais de votação. Cédulas tiveram de ser distribuídas às pressas, o que não impediu a formação de longas filas e tumulto. Em vários pontos, a Polícia Militar teve de agir para acalmar os ânimos dos eleitores. Os 165 novos conselheiros serão conhecidos hoje.

A votação começou com atraso em cidades como Ceilândia, Paranoá, Brazlândia, Guará e Santa Maria. Em algumas escolas, os portões só foram abertos perto das 10h, uma hora depois do previsto. A falta de mesários e presidentes de sessão atrapalhou ainda mais o pleito. Até as 17h16, 23.676 votos haviam sido computados, sem contar com os manuais. Por conta das falhas ao longo do dia, a votação seguiu até as 19h, duas horas após o programado.

Diante dos transtornos, houve eleitores que defenderam a suspensão das eleições, medida descartada pela Secretaria de Justiça do DF, que anuncia o resultado da votação até o fim desta manhã. A apuração dos votos em cédulas varou a madrugada no ginásio de esportes do Quartel da Polícia Militar do Distrito Federal, no Setor Policial Sul. “Tivemos, sim, alguns problemas, mas conseguimos resolvê-los de maneira rápida”, disse o coordenador de apoio técnico aos conselhos tutelares, Maurício Albernaz.

A Secretaria de Justiça do DF informou que o sistema ficou fora do ar por cerca de uma hora durante a manhã. Mas o Correio recebeu informações de que não era possível votar por meio dos computadores em várias cidades durante toda a tarde. Às 14h, a reportagem estava na Escola Classe 7 do Guará II, onde o voto ainda ocorria manualmente. Quem trabalhou nas eleições disse que não houve treinamento adequado.

A votação no Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) 315, em Santa Maria, começou com apenas uma urna eletrônica em funcionamento. Só eleitores com nomes iniciados pela letra A votaram pelo equipamento — os outros usaram cédulas de papel. A população reclamou da falta de controle dos fiscais. O colégio também não tinha a lista de eleitores. A dona de casa Vera da Silva, 42 anos acredita que o sistema de conferência é frágil. “A fiscal só escreveu meu nome e eu assinei. Se eu quisesse, poderia voltar e votar mais vezes”, contou.

Nomeações

No Centro de Ensino Fundamental 3 do Paranoá, mais de 100 pessoas estavam na fila às 12h. Havia uma única sala disponível para votação. O mesário Dênis Lúcio da Conceição foi eleito de última hora presidente da sessão, já que o ocupante do cargo faltou. “O sistema falhou e tivemos que pedir cédulas para continuar o trabalho”, explicou. No colégio, os banheiros estavam com as portas trancadas e não existia bebedouro para quem esperava para votar havia mais de três horas.

Muitos eleitores também não encontraram o próprio nome nas zonas eleitorais correspondentes. “Se não está aqui, está aonde? Disseram que vão dar um jeito para eu votar, mas está uma bagunça”, reclamou Neide da Silva, 24, no Centro Educacional Darcy Ribeiro, no Paranoá. “Como pode uma única urna para este tanto de gente?”, questionou a doméstica Silvia Monteiro, 34, na Escola Classe 3, também no Paranoá, onde policiais organizaram uma fila.

Com a falha do sistema eletrônico, candidatos afirmaram que as cédulas não traziam o nome de todos os concorrentes. “Meu nome não está aí. Como que as pessoas vão votar em mim?”, preocupava-se, ainda no Paranoá, a pedagoga Leidiany Campos, 27. Ela foi uma das cerca de 400 pessoas que concorreram a 165 vagas disponíveis.

Cada conselheiro tutelar de Brasília ganha R$ 2,2 mil. O governador José Roberto Arruda tem até 14 de novembro para nomear os conselheiros escolhidos. É nessa data que acaba o mandato dos atuais representantes. Atualmente, existem 10 unidades em funcionamento no DF, onde trabalham 50 conselheiros tutelares.

COLABOROU ELISA TECLES

Fonte: Correio Braziliense

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