Correio Braziliense: justiça – ainda que honrados, insatisfeitos

Apesar de gostarem de seu trabalho, pesquisa aponta que defensores públicos reclamam da desvalorização da categoria

Eles se sentem honrados com a missão de defender a camada menos favorecida da população no acesso à Justiça. Estão certos de sua vocação e consideram transparente a instituição na qual atuam. Mesmo assim, mais de 40% dos defensores públicos do país gostariam de exercer outra função. O problema, de acordo com a categoria, está basicamente em três pontos: falta de estrutura de trabalho, baixos salários e pouco prestígio da carreira. O descontentamento pode levar a uma debandada geral. Isso porque perto de 40% dos defensores da União e 20% dos profissionais que atuam nos estados estão se preparando para fazer concursos públicos. A magistratura e o Ministério Público Federal são os principais alvos.

A pesquisa intitulada III Diagnóstico das Defensorias Públicas no Brasil, lançado esta semana pelo Ministério da Justiça, detalha os principais problemas enfrentados pelos profissionais. A ausência de uma estrutura de trabalho, que engloba até falta de papel, é o principal fator(1), apontado por mais de 30% da categoria. André de Moura, atualmente defensor público em Taguatinga, destaca a quantidade pequena de profissionais de apoio e de espaço físico. “Quando eu era defensor na área de saúde, muitas vezes estava conversando com uma pessoa que tinha câncer, Aids, e a próxima da fila ficava ouvindo tudo, em algumas ocasiões até se intrometia. Não dá para prestar um bom atendimento dessa maneira”, destaca o profissional.

A estrutura de informática, de acordo com ele, é outra precariedade enfrentada diariamente. “Faz cinco anos que sou defensor e há cinco anos uso o meu computador e a minha internet. Até cota para enviar correspondência, muitas vezes não temos”, afirma Moura. Apesar de todos os problemas, o defensor gosta do que faz. Sentimento corroborado na pesquisa, que apontou menos de 3% da categoria admitindo não ter vocação para a função. Quanto à credibilidade da instituição, apenas 7% fazem críticas quanto à transparência. “O profissional fica frustrado com a falta de condições mesmo, não com a atividade que desenvolve”, defende André Castro, presidente da Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep).

1- Problemas

Entre os defensores da União, o segundo maior problema são os baixos salários, segundo 27% da categoria — adversidade apontada também por 27% dos defensores estaduais. A falta de prestígio é mais sentida entre os servidores da União (29,17%). Entre os estaduais, esse problema é o mais citado por 19,48%. O salário dos defensores, segundo a pesquisa, varia entre R$ 8 mil e R$ 15 mil, dependendo do tempo de serviço e do estado.

Fonte: Correio Braziliense

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