Servidores resolvem parar por 48 horas

As bandeiras vermelhas foram erguidas e o grito de PCCR Já! selou a unanimidade da votação dos trabalhadores do Judiciário e MPU, que decidiram há poucos minutos, em assembléia na Praça dos Tribunais, paralisar os serviços dias 11 e 12 enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não enviar o projeto de revisão salarial ao Congresso Nacional. A assembléia teve um público de mais de 1000 trabalhadores.

“Chega de prazos e de calendários. Vamos mostrar a eles que somos unidos e que venceremos mais essa luta”, foram as palavras do coordenador-geral do Sindjus, ao conclamar a categoria à greve. Amanhã, às 15h30, haverá um ato público na frente do STF, que marcará a deflagração de uma paralisação que poderá vir a ser por tempo indeterminado.

Policarpo iniciou a assembléia fazendo um balanço das atividades do movimento e um memorial das promessas do ministro Gilmar Mendes, do STF, de outros presidentes de tribunais e do procurador geral da República, Roberto Gurgel. “Este PCCR foi articulado em 2008 e já passamos por muitas negociações até a proposta final de recuperação de perdas para os servidores do Judiciário e da equiparação salarial com os trabalhadores do Legislativo e Executivo”, explicou Policarpo, acrescentando que o Sindjus e a categoria não abrem mão dessa equiparação.

Em seguida, explicou que os diretores gerais dos tribunais e autoridades do MPU se reuniram outra vez na última sexta-feira e chegaram à conclusão que, para enviar o projeto ao Congresso, teria de haver um corte na GAJ, passando de 135% para 89%. “Essa é uma proposta indecente e não vamos aceitar”, disse Policarpo

Apoio total – Bruno Cardoso é um jovem servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de 25 anos, que vai participar de sua primeira greve. Ele ocupa o cargo de técnico judiciário e participou de todas as assembléias, desde o início das mobilizações, no começo de outubro. “Sou a favor da greve, talvez assim eles (os juízes e ministros) reconheçam o nosso valor e resolvem atender as nossas reivindicações”, afirmou, acrescentando que mesmo sendo a sua estréia no movimento sindical, acredita que sendo o Poder Judiciário seu direito de greve será respeitado, não haverá retaliações: “Por isso que temos de unir, não podemos recuar até vencer essa luta”.

O clima na assembléia trouxe boas lembranças para a servidora aposentada do Superior Tribunal Militar (STM) Ignaura de Oliveira Costa. “Nunca perdi uma greve, desde a primeira. E saímos vitoriosos de todas elas. Na primeira tivemos 170% de reajuste. Não vai ser agora que vamos perder. Esse movimento é importante para as novas gerações perceberam como a união é importante num momento desses”, ressaltou a servidora, emocionada, observando as bandeiras vermelhas tremularem na praça como sinal de uma nova etapa de luta e esforço para a categoria alcançar uma nova conquista.

Para Aquino Custódio, do STJ, os cortes propostos nas gratificações dos servidores e uma redução mais drástica na tabela da categoria significam má vontade dos ministros e presidentes dos tribunais. “A greve é justa e talvez só assim eles nos escutem”, afirmou. Para Rogério Guimarães, do MPDFT, a greve é necessária, mas não é o ideal: “Mas os salários estão defasados e não podemos ficar parados”. A partir de amanhã o Sindjus convoca a categoria a se mobilizar ainda mais e a iniciar os piquetes nas primeiras horas da manhã.

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