Greve na Justiça está consolidada

Mais de 3 mil servidores aderem ao ato público do PCCR na Praça dos Três Poderes.

Nova assembléia de avaliação do movimento está marcada esta quinta, às 15h30, no STF

Os trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União voltaram a dar mais uma demonstração de força e sintonia em defesa de seus direitos durante manifestação, na frente do Supremo Tribunal Federal (STF), que levou hoje (11/11) mais de três mil servidores a gritar em uníssono pelo PCCR Já! O coordenador – geral do Sindjus destacou a importância do nível de adesão ao movimento, a cada dia mais elevado, e exortou a categoria a ampliar ainda mais a construção de uma greve geral.

“Eles estão querendo fazer outras reuniões para analisar o projeto mais uma vez e assim adiar o envio da nossa proposta ao Congresso. Mas chega de reuniões. Se for assim, então é greve”, afirmou Policarpo, após se encontrar com o vice-presidente do Supremo, ministro César Peluzzo, falando aos servidores em um palco improvisado feito de caixas de som. “O ministro Peluzzo deu apoio ao projeto, o ministro Ayres Brito também, já temos apoio do ministro Gilmar Mendes e do presidente do TJDF, Nívio Gonçalves, mas isso não é suficiente. Queremos que mandem o projeto para o Congresso imediatamente”, acrescentou o coordenador.

Durante cerca de três horas o apitaço organizado pelo sindicato e servidores na frente do Supremo deu uma noção da temperatura de adesão ao movimento, que esquenta a cada instante a luta pelo PCCR. Isto ocorre a partir de uma simples conversa entre colegas no ambiente de trabalho; do corpo a corpo com os trabalhadores – que tem sido feito há cerca de dois meses de modo mais intensivo – e de outras estratégias para agregar a categoria em torno de um só objetivo: o resgate do respeito, da dignidade e do reconhecimento pelo trabalho executado pelos servidores do Judiciário e MPU para construir uma sociedade melhor e um país mais justo.

Intolerância – Palco tradicional de reunião pacífica de trabalhadores e de atos públicos no período pós-ditadura, sobretudo a partir da Nova Constituição da República, os servidores do Judiciário recuaram no tempo com a presença de grades de isolamento no prédio do STF e um cordão de policiais militares que impediram a realização do ato público nas proximidades da Suprema Corte, com o uso de som. “Somos servidores deste Poder, não podem nos impedir de nos aproximar. Foi uma truculência o que assistimos no ato”, reagiu Policarpo.

Por mais que o coordenador do Sindjus e diretores do sindicato tentassem negociar, mostrar que manifestações foram feitas naquele lugar, em outros momentos históricos, pelo mesmo motivo, sem perturbação da ordem pública, o comando da PM foi intransigente e ameaçou “tomar providências”. A tenente que é chefe da segurança prometeu instaurar um Inquérito Policial contra Policarpo. Em mais uma demonstração de boa vontade, os manifestantes resolveram se reunir em local mais afastado, enquanto os PMs voltavam a seus postos, como se estivessem preparados para reeditar velhas cenas do passado.

O coordenador do Sindjus fez um apelo aos trabalhadores para estreitar os contatos com os colegas que ainda não aderiram ao movimento para ampliar as paralisações e o grau de adesão.
Ao final, Policarpo disse que foi “um ato vitorioso” a manifestação diante do STF e que agora é o momento de reforçar a estrutura do movimento.

Novos tempos, novas gerações – Cerca de 70% dos participantes do ato público do Sindjus no STF era de jovens, pessoas em início de carreira e que demonstraram, desde as primeiras assembléias setoriais e gerais, ter uma consciência formada de que é preciso lutar pelos seus direitos. “Este movimento é justo, temos de sair vencedores com ou sem greve”, disse a técnica judiciária Isabela da Silva Pereira de Souza, 23 anos, lotada no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, que passou em concurso e foi chamada há apenas sete meses para trabalhar.

Ao lado, que passou no mesmo concurso, estava Emanuelle Vaz de Carvalho, da mesma idade, que acompanhou todas as assembléias e aderiu ao movimento ainda no início das negociações do PCCR. “Acho que se for o caso tem mesmo de fazer greve. É uma maneira de fazer com que muita gente reconheça nosso trabalho”. Para o analista de Orçamento do MPDFT, Marco Aurélio Pereira, é lamentável que chegue a este ponto (da greve).

“Mas é necessário e justo este movimento e a tendência é que ele cresça ainda mais nas próximas 48 horas”. O servidor do MPDFT é um exemplo do que está correndo com a categoria que sofre com a defasagem salarial. Atualmente ele está dividido entre o trabalho no seu órgão de origem e uma vaga no Senado conquistada por concurso. No Legislativo ganharia mais como técnico de nível médio do que recebe como nível superior no MPDFT.

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