Correio: MPDFT sob novo comando

Sem a presença de políticos, a troca da chefia do Ministério Público do Distrito Federal reuniu a cúpula do Poder Judiciário

Foi uma posse prestigiada por muitas autoridades do Judiciário e poucos integrantes de partidos políticos. Vários desembargadores e ministros de tribunais superiores, entre os quais os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Cézar Peluso; e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski; acompanharam ontem a posse da nova procuradora-geral de Justiça do DF, Eunice Amorim Carvalhido. O advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assinou a nomeação de Eunice, a segunda colocada de uma lista tríplice eleita por promotores e procuradores de Justiça. Em seu discurso, a nova chefe do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) prometeu tolerância com as divergências, equilíbrio nas decisões e discrição na atuação.

Fez um discurso sem entrar em questões relacionadas à crise provocada pela Operação Caixa de Pandora, que deixou sob suspeição dois promotores, Deborah Guerner e o antecessor de Eunice, Leonardo Bandarra. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, chefe do Ministério Público da União (MPU), foi elegante, mas não deixou de se referir à fase difícil por que passaram os integrantes do MPDFT ao dizer que Eunice “reúne todas as condições” para esse “momento especial”. “Ela tem todas as qualidades para superar um momento complexo da instituição”, afirmou o procurador-geral da República ao Correio, sem se ater a detalhes. Gurgel também elogiou a participação de dois promotores do Ministério Público — Sérgio Bruno Fernandes e Eduardo Gazzinelli — nas investigações da Operação Caixa de Pandora.

“Excelentes nomes”

Na disputa pela nomeação, Gurgel garantiu que não apoiou nenhum dos três integrantes da lista por considerar que os três eram “excelentes nomes”. O primeiro colocado na escolha da classe, o presidente da Associação do Ministério Público, Carlos Alberto Cantarutti, foi preterido pelo presidente Lula, mas participou da solenidade e fez um pronunciamento desejando sucesso a Eunice. Cantarutti tratou do momento político do DF: “A capital da República, que deveria refletir bons exemplos para o restante do país, para nossa tristeza, vem enfrentando sérios problemas de ordem gerencial e administrativa, carecendo de ações eficazes e efetivas voltadas para a prestação de serviços públicos e de relevância pública aos cidadãos que aqui residem”, discursou. Além dele e de Eunice, integrou a lista o promotor de Justiça Diaulas Ribeiro, que atua na defesa dos usuários dos serviços de saúde.

A presença de tantos magistrados demonstrou que Eunice terá uma boa relação com o Judiciário. Casada com o ministro Hamilton Carvalhido, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela conseguiu reunir na tarde de ontem toda a cúpula dos tribunais superiores. Poucos políticos passaram pela solenidade e pelo coquetel oferecido em seguida. Entre os candidatos a governador, nenhum compareceu. O petista Agnelo Queiroz chegou a agendar a ida ao MPDFT, mas não apareceu, tampouco o ex-governador Joaquim Roriz (PSC).

Eunice Carvalhido foi nomeada há um mês, mas só agora tomou posse. O tempo foi usado para organizar a assessoria e estudar as medidas que irá aplicar a partir de agora, quando terá dois anos de mandato à frente do MPDFT. Por conta do intervalo de 30 dias, coube à procuradora Benis Bastos, presidente do Conselho Superior do MPDFT, que exerceu a chefia no último mês, a transmissão do cargo. Bandarra assistiu a posse da colega na plateia.

Fonte: Correio Braziliense

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