Correio Braziliense: CUT prevê série de protestos

Depois das paralisações em obras de Rondônia, a Central Única dos Trabalhadores alerta para manifestações em outros estados, motivadas pelo desrespeito aos direitos dos operários, principalmente nos canteiros do Minha Casa, Minha Vida

Em meio à suspensão das obras das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) alertou o governo federal para o risco de paralisação de outras empreitadas tratadas como prioritárias pela presidente Dilma Rousseff. O motivo, em todos os casos, é a falta de condições básicas oferecidas aos operários pelas construtoras. A bola da vez são as edificações do programa Minha Casa, Minha Vida. Em Brumado, na Bahia, sindicalistas relatam a primeira interrupção nas obras do programa, liderada por operários que reivindicam reajuste salarial e melhorias na alimentação.

O presidente da CUT, Artur Henrique, relata denúncias de desrespeito aos trabalhadores da construção civil em todo o país. Não só no Minha Casa, Minha Vida, como também nos projetos de infraestrutura, além dos já conhecidos problemas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Queremos o compromisso das empresas para el iminar os problemas. Nossa luta é por condições de trabalho decentes, saúde, segurança e alimentação”, disse. A estimativa é de que mais de 1 milhão de trabalhadores estejam nos canteiros das grandes obras do governo federal.

O presidente da CUT responsabiliza as empreiteiras e o governo pela situação degradante dos operários. “Por parte das empresas, há omissão. E, por parte do governo, falta de planejamento. É preciso criar uma força-tarefa para indicar responsáveis para, com prefeitos e sindicatos, avaliar o impacto da chegada dos trabalhadores e a necessidade de preparar a cidade para receber 22 mil pessoas, como é o caso de Jirau”, alertou Artur Henrique.

Sem contrapartidas

De acordo com o diretor da Confederação Nacional da Construção e da Madeira, Claudio da Silva Gomes, as contrapartidas sociais não estão sendo aplicadas para a valorização do trabalhador. Ele disse ter constatado casos de op erários que vão do Nordeste para obras do Sudeste, com promessas de melhores salários e boas acomodações. Porém, segundo Gomes, “nada disso acontece”. “A situação é precária, com alto índice de informalidade, principalmente no Minha Casa, Minha Vida”, afirmou.

O procurador do Trabalho Everton Rossi destaca que o Ministério Público do Trabalho tem verificado uma série de irregularidades, como excesso de jornada e falta de alimentação em obras. “Decorreu uma espécie de efeito Jirau, uma insurgência dos trabalhadores em função da falta de segurança de trabalho”, afirmou.

Procurado, o Ministério do Trabalho disse que “vem participando ativamente do processo de avaliação e resolução desta questão”. Hoje, representantes do governo reúnem-se com empresas e centrais sindicais, no Palácio do Planalto, para tratar do assunto.

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