Jornal de Brasília: Corte de ponto

Em resposta à resolução dos juízes federais de paralisarem suas atividades amanhã, o Conselho da Justiça Federal (CJF) decidiu, ontem, descontar o dia de salário de quem participar da manifestação. A decisão foi tomada por unanimidade pelos dez conselheiros. A paralisação é organizada pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), após cerca de 1.500 magistrados ligados à entidade terem votado pela realização do ato. Os conselheiros do CJF afirmaram respeitar a movimentação dos juízes, mas consideram que o corte deve ser feito da mesma forma que na administração pública, em relação a outras greves realizadas no setor. Os conselheiros não se posicionaram sobre legalidade do ato, ponto que gera polêmica devido ao caráter diferenciado dos juízes em relação ao restante do funcionalismo. Para o CJF, não cabe recurso contra o corte, já que os presidentes dos cinco tribunais regionais federais do País participaram da sessão em que decisão foi tomada.

POLÊMICA

Segundo o presidente da Ajufe, Gabriel Wedy, o corte decidido pelo CJF contraria precedente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) firmado após a análise da paralisação de servidores da Justiça Federal de São Paulo. Os juízes federais pedem melhor estrutura de trabalho, igualdade de direitos com membros do Ministério Público e revisão do teto constitucional remuneratório do serviço
público. A categoria também reivindica mais segurança, especialmente para os juízes que cuidam de casos relativos a organizações criminosas. O ato de paralisação será lançado na sede da Justiça Federal do DF, às 14h, com direito a caminhada até a sede do CNJ e ao Congresso Nacional. Também haverá manifestações nos estados. Wedy disse que, caso as principais demandas não sejam atendidas, a entidade fará assembleia extraordinária, dentro de 90 dias, para decidir os rumos do movimento.

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