Correio Braziliense: Fórum sustentável

Primeiro prédio “verde” da Justiça no país é inaugurado e abrigará diversas varas. Ao custo de R$ 21,4 milhões, o edifício foi construído com materiais ecologicamente corretos.

O presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), desembargador Otávio Augusto Barbosa, inaugura hoje o primeiro fórum sustentável brasileiro. O Fórum Desembargador Joaquim de Sousa Neto, no Setor de Administração Municipal, próximo ao Tribunal de Contas do DF, irá abrigar as oito varas de Fazenda Pública e a Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do DF. O prédio foi concebido e construído com materiais e técnicas menos nocivos para o meio ambiente. O projeto ainda garante maior qualidade de vida para os servidores e economia de água e eletricidade. O edifício levou 19 meses para ser concluído e custou R$ 21.4 milhões.

O fórum havia sido inicialmente projetado para abrigar apenas quatro varas da Fazenda, mas o espaço foi remanejado no meio das obras para receber as oito varas, além do Meio Ambiente, criada há um ano. “Isso vai possibilitar, eventualmente, o aumento do número de varas cíveis. Brasília está crescendo, então o problema o Judiciário hoje é falta de espaço. Há ainda cerca de 70 ou 80 varas para serem instaladas e não temos espaço”, avaliou o presidente do TJDFT, desembargador Otávio Augusto Barbosa. A construção de outros três fóruns também está planejada para descentralizar as competências das varas locais com a demanda crescente do DF e do entorno.

O novo Fórum está em processo de certificação para obtenção do selo Leed (liderança em projetos ambientais e energéticos, em português), e é a primeira obra do Centro-Oeste a seguir os critérios de construção sustentável necessários para o título. As iniciativas ecologicamente corretas encarecem o processo de construção em 2 a 7%, mas garantem a recuperação do investimento a longo prazo e sem prejudicar a natureza.

Diferenciais

O investimento em tecnologias sustentáveis representa 15% do valor da construção, o equivalente a cerca de R$3,2 milhões. De acordo com as expectativas dos responsáveis pelo projeto, esse valor deve ser recuperado em um período de 10 anos.
Segundo a GBC Brasil, tanto os custos operacionais da obra quanto as despesas com energia e água são menores nos prédios verdes. “São adotadas várias estratégias que visam reduzir esse consumo nas edificações. Entre elas, podemos citar elevadores de última geração com frenagem regenerativa e antecipação de chamada, lâmpadas e equipamentos de ar-condicionado eficientes e econômicos. Além disso, o projeto pode privilegiar a utilização de recursos naturais disponíveis e sem custo, como a iluminação e a ventilação”, explicou Marcos Casado, gerente técnico da organização.
O aproveitamento dos recursos naturais é obtido no fórum verde graças à rotação da construção dentro da área de projeção do edifício feito com materiais regionais e reciclados. As paredes diagonais ao terreno permitiram a criação de floreiras em todos os andares e a captação otimizada do vento e da luz solar, proporcionando maior conforto térmico e diminuindo o consumo de energia. A edificação também retirou o mínimo de vegetação nativa, integrando o prédio à paisagem.

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