Correio produz mais um factóide com objetivo de segregar nossa categoria

Na matéria “Nó salarial do Judiciário” publicada na edição de hoje (11/7) do Correio Braziliense, a jornalista Ana D’Angelo diz que o jornal teve acesso, com exclusividade, às folhas de pagamento de quatro tribunais e da Justiça Federal no Distrito Federal comprovando assim a existência de um abismo salarial entre servidores. Em mais uma tentativa de reafirmar o estereótipo de que o servidor do Judiciário ganha muito e trabalha pouco, o Correio transforma exceção em regra. Dizer que os servidores do Judiciário ganham mais do que os magistrados é deturpar uma realidade onde os servidores ganham, em média, 80% menos do que servidores de outras carreiras, que desenvolvem atribuições semelhantes no Executivo e no Judiciário. Não há como pegar casos isolados de altos salários e generalizar para os mais de cem mil servidores.

Se os servidores tivessem contracheques superiores ao recebido pelos juízes não havia necessidade de estarmos lutando pela aprovação de um plano que visa amenizar nossa defasagem salarial. Em momento algum da matéria a jornalista cita que nossa categoria, há cinco anos, acumula perdas financeiras. Também não diz que nossos salários estão tão baixos em relação a outras carreiras que o índice de evasão registrado pelo STF beira os 25%.

A matéria demonstra total desconhecimento e falha na apuração de dados ao afirmar que o governo federal ofereceu – e os sindicatos recusaram – o pagamento em forma de subsídio como alternativa à aprovação do plano dos servidores. Isso não é verdade. Se a jornalista tivesse se dado ao trabalho de ouvir fontes não tendenciosas para fazer a matéria, saberia que em várias reuniões, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão deixou claro que não negocia com os servidores, mas com o Judiciário. A negociação, segundo o Ministério, precisa acontecer de poder para poder.

Portanto, a intenção da matéria é dar força aqueles que querem, por motivos obscuros, atrapalhar as negociações em torno da aprovação do PL 6613/09. O Sindjus lamenta que o Correio Braziliense alimente o discurso daqueles que preferem achincalhar a própria categoria ao assumir a derrota de seu projeto no conjunto dos servidores. O sindicato, ao contrário da mídia sensacionalista e dos derrotados, defende um projeto legítimo, que representa a vontade expressiva da categoria no que diz respeito ao aprimoramento de sua carreira e da Justiça brasileira.

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