Correio Braziliense: Concurso ameaçado

A descoberta de que uma servidora integrante da Comissão do Concurso Público do Senado estava
inscrita para concorrer a uma das vagas de consultor legislativo, com
salário inicial de R$ 23,8 mil, pode gerar uma enxurrada de ações
judiciais contestando a lisura do processo seletivo, com 246 postos.
Mesmo após a expulsão de Lúcia Maria Medeiros de Souza do colegiado e da
proibição para que ela concorra no certame, a leitura feita por
especialistas é a de que parte dos candidatos pode se sentir prejudicada
pelo possível uso de informações privilegiadas e busque a anulação da
disputa. Lúcia era encarregada da gestão administrativa do contrato
firmado entre a Casa e a Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pela
preparação da prova.

Apesar de defender a
manutenção do processo seletivo, o advogado especializado em concursos
Sérgio Camargo lembrou que o acionamento da Justiça, quando há suspeita
de fraude, é legítimo a qualquer candidato. “A anulação da prova, porém,
ficará condicionada à existência de indícios concretos de
irregularidades. A simples dúvida se a servidora repassou ou não
informações a terceiros pode não ser suficiente para caracterizar o
vazamento”, ponderou. Camargo ressaltou que a apuração dos detalhes do
caso será determinante na definição das medidas tomadas nos próximos
dias. “Se for possível identificar o que foi repassado e para quem, os
organizadores podem anular a inscrição dos envolvidos e o concurso não
fica prejudicado. É uma solução que beneficia todos os candidatos”,
comentou.

Para José Wilson
Granjeiro, diretor da rede Gran Cursos, uma das formas de evitar uma
corrida dos candidatos à Justiça, uma vez que a maior parte deles
intensificou o ritmo de estudos após a publicação do edital, é
reformular o restante do processo seletivo. “Não é preciso mexer no
edital, mas ainda há tempo de alterar as questões, mudar parte das
provas e garantir segurança aos candidatos”, considerou. Na avaliação de
Granjeiro, outra maneira de assegurar a idoneidade do processo é pedir
que a Polícia Federal acompanhe as demais etapas, como a produção e o
transporte das provas. “Sem essas medidas, corre-se o risco de colocar o
certame em risco, o que seria pior para todo mundo”, completou.

O presidente da Comissão
do Concurso do Senado, Davi Anjos Paiva, garantiu que os membros do
colegiado não tiveram nem terão acesso a questões ou outros detalhes
das provas, uma atribuição exclusiva da FGV. O Senado abriu sindicância
para apurar o caso.

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