Correio Braziliense: Judiciário para por 48 horas

Servidores fazem pressão em favor de projeto de lei que reestrutura a carreira. Movimento pode prejudicar o registro de candidaturas às eleições municipais

Os servidores do Judiciário e do Ministério Público da União (MPU) no Distrito Federal aprovaram uma paralisação de 48 horas entre terça-feira e quarta-feira da semana que vem. O plano original dos sindicato era o de uma greve por tempo indeterminado a partir de hoje, mas os trabalhadores recuaram na expectativa de que seja apresentado na Comissão de Tributação e Finanças da Câmara o relatório do Projeto de Lei nº 6.613/2009, que trata da restruturação de carreira.

“A conversa que tivemos é para que o relatório seja apresentado na terça-feira e o projeto seja votado na quarta”, explicou Jailton Assis, coordenador do sindicato no Distrito Federal. Os sindicatos filiados à Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (Fenajufe) já haviam cruzado os braços por 24 horas no último dia 12, ato que foi repetido ontem, em Brasília. A Fenajufe também orientou os sindicatos da base a fazerem greve em 4 e 5 de julho, com foco na Justiça Eleitoral.

A escolha desses dias levou em conta o fato de que, nesse período, termina o prazo para o registro das candidaturas às eleições municipais de outubro. A promessa dos sindicalistas é de que a mobilização dos servidores irá comprometer o pleito. Ainda como parte da estratégia de aproveitar o processo eleitoral nos municípios, a Federação vai elaborar um documento destinado aos partidos políticos em que a categoria pedirá manifestações de apoio à agilidade nas negociações entre os três poderes.

Outra orientação é para que toda quarta-feira seja marcada com protestos pela aprovação do plano de cargos e salários da categoria. Nesses dias, além das manifestações nas capitais, os sindicatos deverão enviar representantes a Brasília para acompanhar as sessões da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara e pressionar os parlamentares.

Executivo

Os servidores do Executivo também protestaram ontem com uma passeata no Centro do Rio de Janeiro, em conjunto com diversos outros movimentos sociais. Por enquanto, seis ministérios já aderiram à greve por tempo indeterminado: Saúde, Previdência, Trabalho, Justiça, Relações Exteriores e Desenvolvimento Agrário (MDA). Além desses, também cruzaram os braços funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Arquivo Nacional. Após três dias, a greve do Executivo ainda não resultou em nenhuma contraproposta por parte do governo.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) assegura que a mobilização vai crescer nos próximos dias, até atingir todos os órgãos. Até o momento, entretanto, a maior parte do funcionalismo continua a dar expediente normal, a despeito da convocação para a greve.

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