Ato público na Esplanada foi um sucesso

Passeata entre Ministério do Planejamento e Palácio do Planalto mostrou a força da greve

A presidenta Dilma Roussef recebeu a visita de quase dois mil servidores da Justiça e das carreiras típicas de Estado que indignados deram o seu recado em frente à sede do Executivo. Foguetes e palavras de ordem gritadas em megafone expressaram o sentimento que toma conta do país.

Uma massa de servidores públicos caminhou pela Esplanada puxada pelo Sindjus. Os servidores da Justiça desceram da frente do Ministério do Planejamento – onde reivindicaram a consolidação da proposta orçamentária com reajustes de salários – e foram até o Palácio do Planalto.

A marcha engrossou com a adesão de outros servidores do governo federal, como do Banco Central, Itamaraty e Receita Federal. Na porta do Ministério da Justiça, o Sindjus foi saudado aos gritos pelos sindicalistas da Polícia Federal, que também davam seu recado por reposição salarial.

“O movimento foi um sucesso”, exclama Jailton Assis, coordenador geral do Sindjus. Ele considera que a manifestação foi importante para que os servidores do Judiciário e do Ministério Público vejam que não estão sozinhos. “Outros servidores estão na mesma situação. A marcha expressou o que está engasgado na garganta, foi o grito pela falta de reajustes dos salários, que já dura seis anos. Demonstrou também que a linha assumida pelo governo não está correta. O governo tem que negociar!”.

Desgaste salarial – Vitor Rodrigues, servidor do TJ, foi para a rua com a bandeira do Sindjus na mão e com o corpo enrolado com a bandeira do Brasil. “Isso simboliza a indignação dos servidores do país todo. Estamos todos na mesma situação. A inflação corrói o nosso salário e aumenta a carga de trabalho. Temos colegas sobrecarregados em vários fóruns com o aumento de demandas”.

O sentimento de perda do poder aquisitivo é unanimidade. “A inflação aparece quase como algo fictício, mas existe, principalmente no supermercado. Em Brasília quase não há pediatras de plantão, e por isso também a saúde pesa no nosso bolso. Hoje estamos com dinheiro contado e dependendo do cheque especial”, conta Cristiane Medeiros, analista judiciária do TRF.

Os juros de empréstimos concorrem com as despesas mensais no orçamento de grande parte dos servidores. “Eu sou uma das que estão endividadas. As dívidas crescem com a inflação. Eu nunca peguei empréstimo para gastar à toa. Se acontece é porque quando o arroz aumenta 50 centavos é que nosso salário também cai 50 centavos. Queremos negociar com o governo”, exclama Liduina Bezerra, há 30 anos técnica judiciária da Vara Trabalhista da 513 Norte. “Eu queria todo mundo na rua, como acontece nos países da Europa. A gente tem que reagir”.

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