Servidor não arreda o pé

A voz dos servidores chega cada vez mais perto do gabinete do presidente do STF, Ayres Britto. Na tarde de hoje, as cercas de metal colocadas pela segurança foram retiradas e os manifestantes ocuparam a frente do Supremo Tribunal Federal.

A coordenadora de Administração e Finanças do Sindjus, Ana Paula Cusinato, ressaltou a garra da categoria, e elogiou a postura dos servidores da Justiça Federal. “Deram exemplo. O drive thru ninguém ousa abrir”, citou. “Estão firmes e fortes. A greve é difícil, mas eles estão determinados.”

Renata Luna, da JF da Asa Norte, conta que a Justiça Federal não tem tradição de participar de greves. “Mas a situação está tão feia, os servidores estão tão insatisfeitos que todos estão aderindo ao movimento.” Ela relata que cerca de 50% estão parados. “Os balcões de atendimento estão fechados. Isso é inédito”, ressalta.

A tarde desta terça-feira demonstrou a persistência dos servidores e também a sua criatividade. O movimento foi expressivo, e as manifestações, pacíficas. Bonecos de pernas de pau, encenações de teatro dos servidores da Ceilândia deram o recado para Ayres Britto atravessar a rua, para convencer a presidenta Dilma a acatar o reajuste proposto pelos servidores do Judiciário e do Ministério Público, conforme os planos de carreira que estão no Câmara Federal.

Os manifestantes tiveram a presença dos repentistas João Neto, do Rio Grande do Norte, e Valdenor de Almeida, da Paraíba, que animaram a moçada. Eles fizeram repentes dedicados a Ayres Britto e ao movimento grevista.

“Voa sabiá avoa, vai dizer ao presidente que o servidor vive é pra trabalhar. Se aprovar os projetos, o país não vai parar”. A dupla, com o sotaque e o trejeito bem nordestinos, cantou muitos versos. “O Sindjus defende a categoria. E se o senhor der mixaria, nós não vamos aceitar”, entoavam a voz bem alto, para chegar aos ouvidos do presidente do STF.

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