Núcleo de Gênero Pró-Mulher do MPDFT discute Dupla Jornada

O Núcleo de Gênero Pró-Mulher do MPDFT produziu uma nota sobre a dupla jornada enfrentada pelas mulheres, que embora ocupem atualmente um espaço maior no mercado de trabalho continuam desenvolvendo tarefas domésticas.

A nota, segundo estudo, alerta para o fato de que 90,7% das mulheres que exercem atividade remunerada também são têm responsabilidades domésticas e familiares. Uma jornada que acresce, em média, mais 25 horas de trabalhos domésticos às mulheres.

Solidário à nota, o Sindjus também defende políticas públicas que permitam igualdade de condições entre homens e mulheres, de modo que elas tenham condições de conciliar casa com trabalho. Para Ana Paula Cusinato, essas mulheres de dupla-jornada podem ser intituladas super-mulheres, pois não é fácil se dividir entre trabalho, casa, filhos e estar sempre com um sorriso nos lábios.

“Precisamos nos unir contra a dor e pela felicidade, de modo que trabalho e vida pessoal não precisem competir, mas que se complementem num ambiente de trabalho saudável”, explicou Ana Paula. Leia abaixo a nota do Núcleo de Gênero Pró-Mulher do MPDFT e abrace essa causa:

Dupla Jornada

Nas últimas décadas, as mulheres aumentaram consideravelmente a sua participação no mercado de trabalho. De um lado, observa-se a diminuição das taxas de informalidade, o aumento do nível de escolaridade e o ingresso em profissões antes ocupadas apenas pelos homens. De outro lado, persistem as desigualdades quanto aos rendimentos e, especialmente, quanto à distribuição das responsabilidades domésticas e familiares.

Apesar das mudanças culturais ocorridas nas últimas décadas, a entrada das mulheres no mercado de trabalho não foi acompanhada por mudanças na divisão das responsabilidades e tarefas domésticas, nem por políticas públicas que pudessem facilitar a conciliação entre trabalho e família. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de 2009 revelam que entre o conjunto das mulheres brasileiras que exercem atividade remunerada, 90,7% também são responsáveis pelos afazeres domésticos.

Nessa mesma linha, um estudo publicado pelo Banco Mundial destaca que as mulheres adicionam a sua jornada semanal de trabalho mais de 25 horas de trabalhos domésticos, enquanto os homens acrescem à jornada semanal apenas 10 horas. Essas disparidades reforçam a ideia de que a participação mais expressiva da mulher nos espaços públicos está condicionada à superação da tradicional divisão entre o trabalho produtivo e reprodutivo, que ao longo da história atribuiu às mulheres a responsabilidade primordial pela realização das tarefas exercidas no âmbito doméstico.

Diante da realidade da presença crescente de mulheres no mercado de trabalho, o poder público tem o desafio de avançar na construção de políticas públicas que permitam à mulher conciliar o trabalho e as responsabilidades familiares, facilitando a sua permanência no ambiente de trabalho em igualdade de condições em relação aos homens. Nesse contexto, remanesce, ainda, o desafio de democratizar o espaço privado, o que não só permitiria o maior envolvimento do homem com as responsabilidades familiares, como também a maior participação política e econômica da mulher.

Referências bibliográficas:

Organização Internacional do Trabalho. Igualdade de gênero e raça no trabalho: avanços e desafios. Brasília: OIT, 2010.

Agenor, Pierre-Richard; Canuto, Otaviano. Gender equality and economic growth in Brazil: a long-run analysis. Banco Mundial, 2013.

IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio. 2009.

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