Blog do Correio Braziliense: Desabafo de um servidor do Judiciário

DESABAFO DE UM SERVIDOR DO JUDICIÁRIO CONTRA AUMENTO EXCLUSIVO PARA FUNCIONÁRIOS DO STF

“O post abaixo foi retirado do fórum de concursos do CorreioWeb (http://forum.concursos.correioweb.com.br/viewtopic.php?t=197703 ). Trata-se de um usuário do fórum que, como contribuição, postou uma mensagem referente ao abaixo assinado dos servidores do STF sobre os motivos pelos quais merecem um aumento.

Como o post é público, o reproduzimos aqui na íntegra”
Vera Batista (jornalista do Correio Braziliense)

DESABAFO DE UM COLEGA (ALEX HERMINI) NO FACEBOOK:

“O abaixo assinado dos servidores do STF traz verdadeiras “pérolas”. Cito uma delas:

“Primeiramente, releva esclarecer que a carreira dos servidores do Poder Judiciário da União é composta, atualmente, por cerca de 120 mil servidores, sendo, portanto, uma das carreiras mais numerosas do serviço público federal. Dessa forma, qualquer pretensão de melhoria salarial esbarra no argumento da inviabilidade orçamentária, em virtude do elevado número de servidores, apesar da autonomia do Poder Judiciário. E esse quadro tende a piorar, especialmente com a crescente ampliação da Justiça Federal e da Trabalhista (processo de interiorização da Justiça)”

Ou seja: Pros servidores daquele Tribunal “Superior”, é indiferente o fato de todos os servidores do judiciário estarem com os salários defasados. A prioridade é resolver o problema do STF e só. Isso porque, para eles, eles são mais iguais que os outros. Fazem parte de uma casta superior. Qualquer semelhança com o ideário de “raça ariana” é mera coincidência. E, antes que me critiquem por pensar assim, seguem outros trechos do mesmo documento que evidenciam essa lógica equivocada de pensar:

“Como o órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro, que possui a importantíssima missão acima definida, aceita perder servidores para ocuparem o mesmo cargo da mesma carreira em outros órgãos do Judiciário Federal? Se o ápice da carreira de qualquer magistrado é chegar ao Supremo Tribunal Federal, por que não ser esse também o anseio dos servidores do Poder Judiciário?”

“Nesse sentido, é notadamente equivocado tratar de forma idêntica um servidor que assessora um Ministro da mais alta Corte do país com outro que atue, por exemplo, perante um juiz federal substituto. Em razão disso, é evidente que os servidores devem merecer tratamento diferenciado na mesma proporção de importância do órgão e das autoridades a ele vinculadas. ”

Nesse trecho denota-se que os servidores fazem verdadeiro “juízo de valor” entre uma causa judicial que discute verba de natureza alimentar necessária para manter vivo um trabalhador e sua família, que muitas vezes é a realidade da Justiça do Trabalho, e uma causa judicial que envolva o direito de um político corrupto com foro privilegiado ver-se livre da cadeia. E acreditam piamente que as causas discutidas no STF são mais importantes do que todas as outras discutidas nas outras instâncias da Justiça Federal. Aqui se percebe que eles não só se acham mais importantes que os outros servidores, mas também defendem a ideia de que existem cidadãos mais importantes que outros, usando como tábua de valor o Tribunal que julga suas demandas.

Uma das melhores: a questão do terno e gravata. Eles demonstram desconhecer a realidade em outros tribunais, pois acreditam que só eles trabalham com vestimentas mais formais. Eu, por exemplo, trabalho em órgão de segunda instância e sou obrigado a usar terno e gravata. E nem por isso, acredito que eu deva ganhar mais porque a minha vestimenta é mais cara do que aquela usada por outros servidores. Evidencia-se aqui que os servidores daquele Tribunal desconhecem a realidade da Justiça do país, apesar de acreditarem que são mais preparados que os servidores dos outros Tribunais. Vejamos o trecho:

“Para o auxílio no desempenho das relevantes atribuições do STF, os seus servidores sujeitam-se a regras próprias. Como exemplo, podemos citar o vestuário mais formal que é exigido de todos os servidores que atuam na Suprema Corte. Diferente do que se verifica no primeiro grau, e.g., em que é possível trabalhar de calça jeans e camiseta, roupas de custo bastante inferior a terno e tailleur”

Por fim:

“Sob o aspecto orçamentário, a proposta de carreira própria para os servidores do STF em muito se justifica, na medida em que o órgão possui quadro reduzido de servidores, sendo somente 1.119 servidores efetivos, dos quais 583 são analistas e 536 são técnicos judiciários. Dessa forma, os servidores do STF estariam resguardados do principal entrave de uma melhoria salarial, que consiste, atualmente, na inviabilidade econômica em decorrência do elevado número de servidores que compõem a mesma carreira.”

Ou seja, pode parecer piegas, pode parecer uma conclusão pautada no senso comum. Mas o conhecimento empírico, externado através de um ditado popular, resume bem o pensamento da nobre casta: em tempo de farinha pouca, meu pirão primeiro.

Abaixo, a íntegra do documento que me levou a escrever essas considerações. Fiquei indignado não por não estar sendo previsto até o momento, qualquer revisão ou reajuste salarial para mim e para o conjunto dos servidores. Jamais me sentirei realizado se meu conforto material for pautado em uma injustiça. Fiquei indignado em perceber que pessoas que trabalham no Poder Judiciário, que deveriam prezar pela valorização das instituições, pelos princípios constitucionais, por justiça a todos, por uma sociedade mais SOLIDÁRIA, nada disso fazem. Pelo contrário, defendem única e exclusivamente a selvageria do capitalismo, o próprio bolso, a manutenção de uma sociedade ESTAMENTAL, onde há pessoas mais iguais que outras. Esquecendo-se de que nesse mundo, nada somos. E em nada nos diferenciamos dos demais seres vivos que partilham conosco desse mesmo planeta. Indignou-me a falta de fé, de solidariedade, de amor ao ser humano.”

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