Aliados de Temer querem calar entidade por desmentir falácia do rombo na Previdência

O governo de Michel Temer conta com grandes aliados ao seu empenho para aprovar a PEC 287/2017, que, entre outros efeitos nocivos, aumenta o tempo de contribuição para 49 anos e iguala a idade mínima de homens e mulheres, desconsiderando a dupla ou até mesmo tripla jornada das trabalhadoras. Para garantir aprovar os retrocessos nas regras da aposentadoria, vale até tentar calar aqueles que desmentem os argumentos do governo.

Essa é a tentativa dos deputados Carlos Marun (PMDB-MS) e Júlio Lopes (PP-RJ), da base aliada do Palácio do Planalto, que esta semana foram até a Advocacia Geral da União (AGU) solicitar que o órgão acione a Justiça para impedir que a Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) continue divulgando estudos desmontando o argumento do governo de que há um déficit na Previdência. Os dois deputados, que integram a comissão especial da reforma da Previdência, também fizeram a reclamação junto ao próprio Palácio do Planalto. Para eles, a “contrainformação” dificulta a tramitação do projeto no Congresso.

A Anfip vem fazendo vídeos contestando os dados apresentados pelo governo para justificar as mudanças previstas na PEC 287. Ao demonstrar que há superávit desde 2016, a entidade considera a arrecadação de toda a Seguridade Social, que inclui Saúde, Assistência Social e Previdência. Já o Executivo e sua base de sustentação escondem esses números para tentar convencer a população que o problema está nas verbas gastas com aposentadorias.

O Sindjus-DF considera essa atitude uma explícita tentativa de cercear a entidade e um desrespeito à liberdade de expressão. Os números utilizados são com base no próprio Orçamento da União e refletem a estrutura da Previdência Social brasileira. O sindicato se solidariza com a Anfip e repudia, mais uma vez, essa investida do governo em aprovar, a qualquer custo, uma reforma que trará graves prejuízos à população.

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