Governo avalia congelar salário de servidores para atingir ajuste fiscal

O governo federal tem estudado congelar reajustes do funcionalismo público federal previsto para 2018, conforme vem sendo divulgado em diversos veículos da grande imprensa. Reportagem do Bom Dia Brasil, da TV Globo, desta terça-feira (15/08), bateu na tecla que para ajustar as contas públicas é preciso cortar investimentos (gastos, como sempre dizem) com servidores. Isso inclui, segundo tem sinalizado o Palácio do Planalto, postergar por mais um ano os reajustes prometidos para a maioria das carreiras de funcionários públicos, fixar em R$ 5 mil os salários de servidores do Executivo em início de carreira e dos futuros que entrarão, cortar gastos em benefícios e aumentar a contribuição previdenciária do funcionalismo.

Segundo divulgou o Broadcast do Estadão, professores, militares, auditores da Receita, peritos do INSS, carreiras jurídicas, diplomatas e oficiais de chancelaria estão entre as categorias que poderão ser atingidas pelo congelamento. O governo alega uma economia de cerca de R$ 9 bilhões para 2018. No entanto, ele esconde da população que outros gastos continuarão, como a liberação de emendas parlamentares, tanto para livrar Michel Temer das investigações da Operação Lava Jato quanto para garantir votos suficientes para aprovar a reforma da Previdência. Além disso, grandes empresas continuam sonegando impostos para a Receita Federal, cujo prejuízo não é computado pelo governo para explicar o falacioso déficit previdenciário.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O assunto está na ordem do dia dos principais veículos porque o governo pretende anunciar esta semana a revisão da meta fiscal de 2017 e 2018. Matéria publicada semana passada pela Folha de S. Paulo informa que a decisão do corte foi tomada em reunião (foto acima), no último dia 10 de agosto, entre o presidente da República, integrantes da cúpula do governo, parlamentares e os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento).

Em reunião na manhã desta terça-feira (15), na residência oficial do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), com os ministros Meirelles e Dyogo, ficou acertado que a nova meta fiscal será anunciada nesta quarta-feira (16), embora as equipes econômica e política tenham divergências quanto ao cálculo. Essas medidas referentes ao funcionalismo e outras para ampliar a receita deverão ser anunciadas juntamente com a revisão da meta. Caso isso seja confirmado, o governo manterá a lógica de transferir para os trabalhadores a responsabilidade da crise econômica.

O Sindjus-DF destaca, no entanto, que os servidores públicos federais prometem reagir. Em reunião ampliada do Fórum Nacional de Entidades dos Servidores Federais (Fonasefe), realizada nos dias 4, 5 e 6 de agosto, foi aprovada uma série de mobilizações para os próximos dias, e as categorias não descartam uma paralisação em setembro. O sindicato estará em todas as lutas e, desde já, convoca os servidores do Judiciário Federal e do MPU para participar, com o objetivo de tentar impedir o aprofundamento do ajuste fiscal do governo.

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