Rodrigo Maia volta a defender Reforma Administrativa, que deve ser combatida por todos nós


O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já defendeu o corte salarial dos servidores públicos realmente não desiste de atacar os servidores e tentar sucatear os serviços públicos com uma Reforma Administrativa que prejudica a população, tendo voltado a cobrar, nesta quinta-feira (23/07), que o governo envie ao Congresso Nacional uma proposta sobre o tema o mais rápido possível.

Maia destacou a importância do assunto, principalmente no próximo ano, quando haverá pressão para furar o teto de gastos e crescimento sem controle de despesas públicas. “Nós temos 12 meses para fazer as coisas. Mais do que isso, apresentar uma reforma em 2021, esquece, porque a Casa revisora vai fazer a conta de que tem que fazer a votação no segundo semestre. Aí morreu, ninguém vai votar nada no segundo semestre de 2021”, alertou Maia em reunião virtual da Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa, que tem agido juntamente com o governo pra fortalecer o ataque aos servidores e serviços públicos.

Durante o debate virtual, economistas afirmaram que a questão não é cortar salários de servidores, mas de melhorar a máquina por meio, por exemplo, da implantação de avaliações de desempenho.

A sócia da Consultoria Oliver Wyman Ana Carla Abrão afirmou que a atual máquina brasileira leva a um desperdício de recursos e a um resultado final que se perde no processo. Defendeu que o governo incentive o servidor a trabalhar com foco em resultados. Segundo ela, a avaliação de desempenho vai permitir diferenciar as pessoas que trabalham mais das que trabalham menos ou daquelas que não trabalham, que seria “uma minoria”.

Em relação aos salários iniciais serem considerados altos em algumas carreiras, de modo que o servidor chegue ao teto em poucos anos, para o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, a estrutura de carreira pode ser mais vertical sem se transformar na “loucura curto prazista”. Segundo ele, apenas uma minoria “sairia prejudicada em termos financeiros e de qualidade de vida profissional e de satisfação com o trabalho”.

O coordenador da frente parlamentar, deputado Tiago Mitraud (Novo-MG), disse que trabalha para que quando for a hora da tramitação, a reforma administrativa encontre ambiente mais propício.

“Está claro que há uma intenção de parte do Congresso Nacional e do governo, vide as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de promover a Reforma Administrativa a toque de caixa. E o momento tem sido considerado propício por Maia e pelo governo, visto que a pandemia de coronavírus impede atos e mobilizações presenciais, e tudo é rapidamente resolvido no Congresso no ambiente virtual. No entanto, nossa reação, união e atuação coordenada de todas as entidades do serviço público poderá impedir mais essa tentativa do governo de desmantelar o serviço público e impor retrocessos e retirada de direitos. A nossa luta é pela valorização salarial dos servidores, pela manutenção da estabilidade e contra uma avaliação que permita, por exemplo, demissões por critérios subjetivos. É importante lembrar aos políticos e esclarecer à sociedade que as regras atuais já permitem a demissão de servidores que cometerem crimes e infrações graves contra a administração pública. Além disso, nossa categoria, por exemplo, já tem metas de produtividade a cumprir, portanto não é válido esse discurso de que devemos trabalhar por resultados. O resultado do nosso trabalho é a prestação de serviços de qualidade à população. Antes de questionar os supostos privilégios dos servidores públicos, que não existem, os parlamentares deveriam se voltar para suas regalias e ter a coragem de cortar na carne, dando sua cota de sacrifício e fazendo a reforma política tão necessária ao desenvolvimento do nosso País, bem como uma reforma tributária solidária que atenda aos interesses da população e não apenas dos empresários e banqueiros. Está na hora do serviço público se unir e cobrar as reformas política e tributária solidária, que devem ser a verdadeira prioridade, e não uma reforma administrativa que vem só para prejudicar e punir quem está fazendo o seu melhor, inclusive em tempos de pandemia”, afirmou o coordenador-geral do Sindjus-DF, Costa Neto.

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