Coordenador-geral do Sindjus-DF debateu teletrabalho e pandemia em live do Fórum Permanente em Defesa do Serviço Público – Ceará


Nesta sexta-feira (2/10), o coordenador-geral do Sindjus-DF e da Fenajufe, Costa Neto, participou do programa quinzenal de debates AO VIVO NO FÓRUM sobre Teletrabalho e Pandemia, que foi transmitido pelo Youtube, Facebook e Twitter. Trata-se de uma iniciativa do Fórum Permanente em Defesa do Serviço Público – Ceará, que tem o objetivo de unificar ações em defesa do serviço e dos servidores públicos.

Com apresentação de José Vidal, o programa desta sexta-feira abordou o tema “Teletrabalho e o Retorno em Tempos de Pandemia: Desafios e Perspectivas”, e teve o intuito de discutir uma situação que diz respeito a todos nós, que é o presente e o futuro do serviço público, do modelo de teletrabalho, durante e após essa pandemia de coronavírus.

A live também contou com o médico e pesquisador da Fiocruz, Odorico Monteiro, e com a professora e presidenta do Sindiute, Ana Cristina.

Durante o debate, o coordenador-geral do Sindjus-DF e da Fenajufe, Costa Neto, salientou a importância de se manter o isolamento social e da luta dessas entidades para manter o regime prioritário de teletrabalho no Poder Judiciário e no MPU, preservando a vida de servidores, magistrados, advogados, colaboradores e da população em geral.

Em um momento delicado, onde vários tribunais começam a tratar do retorno gradual das atividades presenciais, Costa Neto insistiu que não há necessidade desse retorno agora, uma vez que os servidores estão conseguindo, graças a muito comprometimento e dedicação, manter o Poder Judiciário e o MPU funcionando, inclusive com a taxa de produtividade sendo mantida e até aumentada em muitos setores.

O pesquisador Odorico Monteiro também considerou ser temerária a retomada das atividades presenciais neste momento, pois a primeira onda do coronavírus ainda não acabou. Nessa mesma linha, a professora Ana Cristina disse que os servidores estão, neste momento, lutando pelas suas vidas, e comemora o fato de que depois de muita luta as aulas presenciais da rede pública de Fortaleza só serão retomadas em 2021.

Odorico Monteiro também chamou a atenção para o fato de que o teletrabalho não pode ser uma imposição, mas deve ser construído a partir de uma negociação ampla e democrática, pois há muitas coisas a serem consideradas, como metas abusivas e saúde mental. No âmbito escolar, afirmou que se não for dada das devidas condições de conectividade, o aluno pobre vai ser excluído. Chamou a atenção para o fato de que além da crise sanitária grave que enfrentamos, o Brasil atravessa também crises política, economia e institucional.

A professora Ana Cristina afirmou que é necessário ter muito cuidado com a regulamentação do teletrabalho, e sobretudo com a educação à distância, pois na visão dela isso tudo é parte do projeto de Estado Mínimo. Além disso, segundo ela, a educação remota retira algo fundamental: a integração, que não é a mesma em ambiente virtual. Por isso, ela considera o ensino à distância uma forma de precarização da Educação brasileira.

O presidente do Fonacate, Rudinei Marques, fez uma participação na live dizendo que a pandemia acelerou a implantação do teletrabalho e que essa medida deve ser aprimorada à medida em que os órgãos vão fazendo suas experiências, mas que se deve discutir uma série de questões como a falta de relações sociais trazidas pelo trabalho remoto.

Outra participação especial foi do presidente do Sinsempece, Tony Távora, que citou como um dos pontos negativos do teletrabalho a falta de compreensão de chefias que apresentaram demandas aos servidores em finais de semana e horários avançados, salientando essa falta de limites entre ambiente doméstico e ambiente de trabalho.
Costa Neto expôs a necessidade de os gestores dos órgãos públicos observarem a saúde dos servidores, citando dados alarmantes de pesquisa feita pelo CNJ durante a pandemia e de um estudo encomendado pela Fenajufe e Fenajud no ano de 2019. Para o dirigente, é fundamental que além de se dar condições ideais do servidor realizar seu trabalho, com ferramentas de TI e cadeiras e mesas adequadas (ergonomia), é preciso ter um olhar atento sobre a saúde dos servidores, que necessitam ter tratamento adequado para doenças surgidas em razão do teletrabalho, como LER, Dort, problemas dermatológicos e visuais, depressão e ansiedade. Segundo ele, há de se ter preocupação com os impactos do teletrabalho na vida dos servidores.

O professor Odorico explicou que em um país injusto como o Brasil, quem pode produzir equidade e reduzir as desigualdades é o Estado. Que os países desenvolvidos têm a presença de um Estado forte, de modo que não é reduzindo os direitos dos servidores que vamos encontrar o desenvolvimento desejado.

Assim como os outros debatedores, Costa Neto afirmou que o momento é de luta em favor da vida e também contra a Reforma Administrativa, conclamando em sua fala todas as entidades do Brasil a se unirem contra essa ameaça. “Não aceitaremos o desmonte do serviço público brasileiro. A Reforma Administrativa é um crime contra toda a estrutura montada a partir da Constituição de 1988 que temos trabalhado constantemente para aprimorar”, frisou o coordenador-geral do Sindjus-DF e da Fenajufe.

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