Despesas com servidores no Brasil é menor em relação a países como Austrália e Espanha

Percentual de servidores públicos na população também é menor no Brasil

Sai governo, entra governo, o discurso é o mesmo: o Brasil gasta demais com servidores públicos, que são apontados, de forma equivocada, como vilões da economia e privilegiados.

Em seminário promovido pela Secretaria de Relações Internacionais da Câmara dos Deputados, o embaixador da Espanha, Fernando García Casas, informou que o custo da folha de pessoal em seu país é de 12,2% do PIB. Já o embaixador australiano, Timothy Kane, disse que o custo na Austrália é de 17%. De acordo com o Atlas do Estado Brasileiro, do Ipea, o Brasil tinha um custo de 10,7% do PIB em 2017.

O secretário de Relações Internacionais, deputado Alex Manente (Cidadania-SP), abriu o debate com uma avaliação distorcida sobre a realidade, pregando a necessidade de uma reforma administrativa no Brasil. “Aqui, no Brasil, nós vivemos um serviço público bastante obsoleto no sentido de gerar um custo significativo para o Estado e o serviço não ser tão eficiente até por conta da falta de uma modernidade.”

Manente também criticou o que considera um “excesso de privilégios”, na remuneração de servidores. “Penduricalhos, benefícios, progressão automática rápida para as carreiras; o que inibe qualquer possibilidade de evolução da qualidade do serviço público.”

Timothy Kane explicou que os servidores públicos na Austrália representam 15,8% da força de trabalho contra uma média de 18% dos países desenvolvidos. A maioria, quase 80%, é estadual. O sistema de contratação é descentralizado.

Já Fernando García disse que os servidores são 14,3% da população ativa e a maioria é contratada a partir de concursos e têm estabilidade. No Brasil, de acordo com o Ipea, o serviço público está em torno de 11% da população economicamente ativa.

O embaixador Fernando García explicou que o fator salarial, além de outros, promovem uma redução de desigualdades. “Uma de minhas conselheiras aqui é filha de caminhoneiro. Isso foi graças a um setor público com saúde, educação, com bolsas de estudo, que a permitiu chegar no topo do serviço civil da nossa função pública”.
Para o Sindjus-DF, é importante a divulgação de dados com essas comparações, que demonstram inequivocamente que os países mais desenvolvidos valorizam seus servidores ao contrário de persegui-los, como vem sendo feito sistematicamente pelo governo. O discurso de que o Estado brasileiro está inchado e de que os servidores são privilegiados é facilmente desmontado quando se estuda o assunto com a devida seriedade. A sociedade não pode ser enganada com campanhas em favor dessas reformas, cujo intuito real é favorecer o mercado financeiro.

É uma vergonha o secretário de Relações Internacionais falar para o mundo, uma vez que falou para embaixadores, que há “excesso de privilégios” na remuneração dos servidores brasileiros. Até quando vão mentir dessa forma? Até quando o funcionalismo do Brasil vai ser desrespeitado e humilhado?

“É preciso cortar sim, mas cortar as despesas geradas pelos apadrinhamentos políticos, com cargos de livre nomeação sem concurso público, pela partidarização do Estado, pela corrupção generalizada. Servidores com estabilidade combatem a corrupção, sendo verdadeiros fiscais da sociedade nos mais diversos órgãos. A verdadeira reforma administrativa que a sociedade brasileira precisa está no fortalecimento do Estado a partir da valorização dos servidores de carreira, combatendo o toma-lá-dá-cá político. Trocar cargos por votos, inflar a máquina pública para angariar aliados, dar cargos de chefia a copartidários são práticas que devem ser extintas. Somente por meio da mobilização, resistência e atuação coordenada é que podemos fortalecer o serviço público e libertar a sociedade da velha política, essa sim extremamente prejudicial à máquina pública e à população”, afirmou Costa Neto, coordenador-geral do Sindjus-DF.

Com informações da Agência Câmara 

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