Correio Braziliense: A renúncia como estratégia

Eurides Brito, Leonardo Prudente e Júnior Brunelli já admitem a aliados que abrir mão do mandato é a única saída para evitar a cassação. Outros seis distritais respondem a processos na Comissão de Ética

Aliados políticos revelam que os três deputados filmados por Durval Barbosa com dinheiro nas mãos, Eurides Brito (PMDB), Júnior Brunelli (PSC) e Leonardo Prudente (sem partido), já admitiram em conversas reservadas que não encontram outro caminho político a não ser renunciar ao mandato para evitar a cassação. A decisão é difícil porque os distritais ainda buscam apoio, mas a prisão do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) deteriorou as chances de encontrar uma saída para a abertura de investigação por quebra de decoro parlamentar. Enfrentar o processo significa um risco de inelegibilidade por oito anos, em caso de condenação em plenário.

Eurides conversou com peemedebistas sobre a situação e concluiu que não conseguirá apoio para evitar a cassação. Disse a pessoas próximas que nenhuma de suas explicações surte efeito e ela já estaria condenada pela opinião pública por ter sido filmada guardando dinheiro na bolsa. Brunelli ainda tenta convencer deputados de que sua situação é menos complicada do que a de Eurides e Prudente, que tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados, além de terem sido alvo de mandados de busca e apreensão em sua casa e no gabinete. Mas sua imagem conduzindo o que ficou conhecido como “oração da propina” é considerada devastadora. Brunelli também recebe um maço de dinheiro. Prudente, que já não tem partido, é um dos que pensa com mais frieza, segundo pessoas próximas, embora esteja abatido pela repetição da cena em que guarda dinheiro na meia. De acordo com a assessoria de imprensa de Prudente, ele nunca falou em renúncia.

Mas as renúncias podem ocorrer nos próximos dias, no intervalo entre a apresentação do relatório do deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), designado corregedor para o caso, e a reunião da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar que vai deliberar pela abertura dos processos. Depois que a comissão tomar uma decisão, a renúncia não tem mais efeito prático como estratégia para parar a investigação e consequentemente evitar a pena de inelegibilidade. Até a noite de ontem, Ribeiro trabalhava em seu relatório sobre os pedidos feitos pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF). No fim de semana, o tucano conversou com vários distritais e também buscou conselhos com juristas, magistrados e advogados de sua confiança.

Ribeiro analisa representações contra Eurides, Prudente e Brunelli, que são considerados em situação mais crítica, além de denúncias contra os deputados Rôney Nemer (PMDB), Benedito Domingos (PP), Rogério Ulysses (sem partido), Aylton Gomes (PR) e Benício Tavares (PMDB). O corregedor não antecipa o teor de seu relatório, mas há uma sinalização de que não entrará no mérito das acusações. Ele deverá se limitar a avaliar que há indícios mínimos para a abertura de processo por quebra de decoro, sem apontar pena de cassação de mandato.

Coleta de lixo

Além dos deputados enrolados na Operação Caixa de Pandora, Cabo Patrício (PT) também é alvo de representação por ser autor de projeto de lei que beneficiaria uma empresa do ramo de coleta e tratamento de lixo hospitalar, para favorecer Prudente. Assim que entregar o relatório ao presidente da Comissão de Ética, deputado Bispo Renato (PR), este deverá marcar uma reunião para votar o texto. Caso o corregedor apresente mesmo um texto que despache para a Comissão de Ética todas as representações, Bispo Renato deverá sortear relatores para o caso. Se isso ocorrer, poderá ser dado um prazo para novas negociações e os investigados poderão ganhar uma sobrevida.

Durante o fim de semana, Raimundo Ribeiro sofreu muita pressão. Os três mais enrolados reclamam de que não podem ser o bode expiatório da Câmara Legislativa. Os demais defendem a tese de que contra eles não há provas tão evidentes. Em conversa interceptada por escuta da Polícia Federal instalada no corpo de Durval Barbosa, em 21 de outubro do ano passado, Arruda tratou com o então chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, sobre pagamentos a distritais que seriam feitos pelo ex-assessor de imprensa Omézio Pontes e pelo conselheiro do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamoglia. Os deputados Rôney Nemer, Benedito Domingos, Aylton Gomes e Rogério Ulysses, além dos suplentes Pedro do Ovo (PMN) e Berinaldo Pontes (PP), são citados.

Naves na cadeia

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa do jornalista e suplente de deputado distrital Geraldo Naves. Ele está preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde o último dia 12, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob acusação de obstrução das investigações, por tentativa de suborno do jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha no inquérito que investiga denúncias de desvios e apropriação de dinheiro público no Governo do Distrito Federal. O ministro considerou presentes os requisitos legais que justificam a prisão.

Opinião do internauta

Leitores comentaram no site do Correio os desdobramentos da Operação Caixa de Pandora. Veja algumas opiniões:

· Eron Pessoa

“Diagnóstico clínico para a atual situação política do DF: falência de múltiplos órgãos levou a óbito a gestão atual do GDF. Não há nem o que discutir em relação à urgente intervenção no DF. O melhor seria um plebiscito quanto à necessidade da Câmara Legislativa do DF.”

· Marcos Melo

“Muito tem-se falado em limpar Brasília dos corruptos: prender Arruda e Paulo Octávio, fechar a Câmara, decretar a intervenção. Contudo, esquecemos que o mais pernicioso de todos os políticos locais está à margem de toda essa discussão e, provavelmente, será eleito o próximo governador: Roriz.”

· Vasco Vasconcelos

“A intervenção no DF se faz medida imperiosa para banir de vez centenas de figuras pálidas e peçonhentas que estão mamando nas tetas do GDF/CLDF.”

· Evanildo Santos

“Estou ficando muito preocupado com a situação da nossa capital. Estou vendo que tem muitos interesses políticos em uma intervenção no DF. Alguém quer ver a esquerda no poder.”

· Paulo Freitas

“Salvem o futuro de Brasília. Fechem a Câmara Legislativa do DF.”

· Éder Aquino

“A novela ainda vai continuar. Cada dia, um novo suspense. Não perco um capítulo.”

· Lupicínio Sousa

“Que Deus tenha misericórdia de todos nós!”

· Neide Aguiar

“A falta de mobilização na capital é grande. Parece que a população perdeu a capacidade de se indignar.

Vamos acreditar que o povo desta cidade vai usar a sua força nas próximas eleições: o voto.”

· Francisco Amaral

“Me preocupa a participação de parlamentares ligados ao Arruda em comissões, e principalmente na Corregedoria da Câmara Legislativa do DF. O quanto de isenção pode ter um ‘amigo’ do Arruda em relatar e se posicionar ética e moralmente em julgamentos? A Câmara está contaminada, não adianta a Justiça esperar mais.”

· Luiz Marques

A todos esses ladrões que estão no poder são dadas inúmeras oportunidades de defesa, porém, se algum coitado rouba um pão que seja, vai para a cadeia sem apelação. Nunca o Judiciário teve tanta oportunidade de retomar seu rumo.”

· Laécio Alencar

“O futuro de Brasília está nas mãos de seu povo, que deve ir às ruas para pedir a saída destes larápios do poder.”

· Renato Santos

“Ainda tenho fé no Judiciário, espero que não esteja corrompido pelo câncer que assola a cidade e o país. A esperança é a última que morre!”

· Joaquim Rabelo

Acorda, Brasil! Vamos votar direito, gente!”

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