Jornal de Brasília: Em busca de um final feliz

Rodada de negociação entre governo e sindicalistas será acirrada

Passadas as comemorações do 1º de Maio, dia internacionalmente consagrado ao trabalhador, entidades sindicais dos servidores públicos federais e o secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, se preparam para mais um duro embate, amanhã, na mesa de negociações da Campanha Salarial Unificada 2011.

No encontro de amanhã está programada a discussão de projetos de lei como o 549/09, que congela salários dos servidores por dez anos, e o 248/98, que permite demissão por insuficiência de desempenho. As propostas tramitam no Congresso Nacional e, no entendimento dos sindicalistas, ameaçam avanços dos servidores e o desenvolvimento e melhoria dos serviços prestados à população.

No dia 17 haverá reunião para discutir a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da negociação coletiva no setor público. No dia 31, novo encontro debaterá os demais itens da pauta da campanha salarial que une servidores federais do Executivo, Legislativo e Judiciário.

O primeiro encontro, ocorrido no dia 18 do mês passado, delineou o perfil das próximas reuniões. Na avaliação do diretor de Imprensa da Confederação dos Servidores Públicos Federais (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva, a postura de Duvanier não agradou. “Ele tentou excluir entidades do processo de negociações de nossos eixos unificados. Essa é uma tentativa clara de quebrar o fortalecimento da unidade dos trabalhadores do setor público”, observou Sérgio Ronaldo, referindo-se às declarações de Duvanier de que só negociaria questões relacionadas aos servidores do Executivo Federal. O secretário Duvanier, por sua vez, reiterou a intenção de manter diálogo permanente com o movimento sindical do funcionalismo.

DATA-BASE

A expectativa do dirigente da Condsef é de que o cronograma de negociações avance e que o governo discuta com seriedade as propostas apresentadas pelos trabalhadores do setor público. “Caso contrário, buscaremos mecanismos para fortalecer a unidade e pressão em torno de nossas demandas”, alerta.

Um dos pleitos da campanha unificada trata do estabelecimento da data-base em 1º de maio. Hoje, o governo reserva o dia 1º de janeiro para os reajustes lineares dos servidores. A data é considerada imprópria ”por não garantir possibilidade de defesa e organização das reivindicações dos trabalhadores públicos”, avalia Sérgio.“Defendemos nossa data-base em 1° de maio porque nos consideramos trabalhadores iguais a todos do País, defensores das mesmas causas e lutamos por nossos direitos e respeito à nossa força de trabalho”.

Reuniões setoriais com a Federação dos Sindicatos de Trabalhadores em Universidades Públicas Brasileiras, na quarta-feira, e com a Condsef, na quinta, devem opor, novamente, funcionalismo e governo.

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