Ato do MPU cobra proposta imediata de reajuste e dá vaia histórica a Janot

Centenas de servidores do MPU, desde em estágio probatório até aposentados, vindos de vários ramos e cidades, deram o tom de pressão e de unidade necessário ao ato conjunto desta quarta-feira (28), no gramado em frente à PGR. O Sindjus e as demais entidades representativas falaram a mesma língua num discurso que cobrou a responsabilidade do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no envio de uma proposta imediata de reajuste ao Congresso Nacional, já incluindo seus valores nas prévias orçamentárias.

A revolta se intensifica, pois, além dos oitos anos sem reajuste, está concretizado o descaso do PGR com os servidores. Janot e os demais membros do MPU estão fazendo um trabalho de campo no Congresso Nacional para aprovarem a PEC 63, que permite o extrapolamento do teto constitucional, rendendo, no final das contas, até 35% de aumento real para magistrados e membros, enquanto para os servidores resta a imobilidade. O coordenador do Sindjus e da Fenajufe Jean Loiola explicou didaticamente essa PEC, frisando que a PEC 63 disputa orçamento com o reajuste dos servidores, que está sendo empurrado com a barriga por um Grupo de Trabalho que não funcionou.

A coordenadora Ana Paula Cusinato bradou que os servidores do MPU não precisam de Grupo de Trabalho, precisam é de proposta e dos valores dessa proposta inclusos no orçamento de 2015. “A administração que aposta na nossa divisão tem se surpreendido com nossa unidade. Não aceitamos proposta rebaixada. Queremos nosso reajuste nas prévias orçamentárias ainda em maio. Não precisamos mais de GT, pois sabemos o que queremos. E Janot precisa ter consciência que quando sentou naquela cadeira de PGR teria que representar a instituição como um todo”, exclamou.

O coordenador do Sindjus Cledo Vieira informou os servidores presentes no ato sobre a comissão do Judiciário, instalada muito depois da do MPU, e que já fechou uma proposta de reajuste que está sendo colocada nos orçamentos dos tribunais e órgãos do Judiciário. Isso mexeu ainda mais com os ânimos dos servidores que não aguentam mais tamanha enrolação. Apitos, buzinas e diversas palavras de ordem entoadas pelos servidores demonstram que caíram por terra todos os votos de confiança dados ao PGR, que prometeu ser diferente dos anteriores e trabalhar a valorização dos servidores.

Além do Sindjus, representantes do Sinasempu, Asmip, Asmpf, Asempt, Agempu, Fenajufe e CUT-DF falaram no ato, ressaltando a importância da unidade e da mobilização de todos, no sentido de que esse é apenas o primeiro ato em busca desse reajuste e que no próximo o número de participantes precisa ser multiplicado, pois é somente com muita pressão que essa proposta de reajuste se tornará realidade, uma vez que Janot segue a mesma cartilha que Gurgel. “Como o MPU se assusta com um impacto de 30% se a inflação líquida acumulada pelos servidores nos últimos anos é de 40%?”, indagou o coordenador Jailton Assis, justificando que o reajuste é possível.

Vaia ao autoritarismo

Ao final do ato, os servidores se encaminharam ao portão principal da PGR para entrarem no prédio rumo ao gabinete do Procurador-geral para cobrar uma resposta às suas reivindicações, uma vez que até agora Janot é só silêncio quanto ao nosso reajuste.

No entanto, para a surpresa de todos, nem mesmo os servidores da casa foram autorizados a entrar. O coordenador Jailton Assis chamou de absurdo os servidores de uma instituição criada para defender os direitos dos cidadãos serem impedidos de entrar em seu local de trabalho. “Casa de ferreiro, espeto de pau. A atitude do PGR envergonha o nosso sindicato, que defende a PGR e o MPU em todos os locais em que tem voz. Uma instituição com dever de defender a democracia pratica um ato autoritário que repudiamos”. E foi então que o PGR ganhou uma vaia e tanto que chegou não só à opulência do prédio, mas à história de Janot, manchada por uma atitude que não condiz com o cargo que ocupa.

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