Pressão dos servidores faz governo adiar votação da Reforma da Previdência para 2018

Em coletiva à imprensa na tarde desta quinta-feira (14), o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou que a proposta de Reforma da Previdência (PEC 287/2016) ficará para fevereiro de 2018. Com isso, o principal aliado de Michel Temer no Congresso Nacional e subserviente aos projetos do governo de ataques aos trabalhadores confirma o que vinha sendo sinalizado nos últimos dias: sem os votos necessários para aprovar a PEC em dois turnos, o Palácio do Planalto não colocará a proposta em votação este ano.

Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

A informação já havia sido antecipada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que, em declaração nesta quarta (13), disse que o Planalto não conseguiu os 308 votos necessários para aprovar a matéria. Mesmo com todo o esforço de Temer e seus aliados no Congresso, que agora na reta final dos trabalhos legislativos fizeram negociações de toda ordem para conquistar novos apoios, parlamentares da própria base aliada preferiram não se arriscar apoiando uma proposta que conta com a rejeição da maioria da população brasileira.

Sem dúvida, o adiamento da votação da principal medida do ajuste fiscal de Temer é resultado da intensa pressão que as entidades de servidores públicos e de trabalhadores do setor privado realizaram ao longo de todo o ano de 2017. Foram duas grandes greves gerais, várias manifestações em Brasília e nos estados, uma série de atividades de pressão no Congresso Nacional, abordagens nos aeroportos, entre outras ações. Em todas essas oportunidades, o Sindjus-DF e as demais entidades sindicais mostraram a deputados e senadores os efeitos negativos da proposta e as consequências que eles teriam nas eleições de 2018 caso aprovassem o texto.

O Sindjus-DF, a Fenajufe e diversas outras entidades de servidores realizaram intensa pressão na Câmara. Ontem e hoje, dirigentes dialogaram com parlamentares para convencê-los a derrotar a reforma.

Na avaliação do coordenador geral Costa Neto, que estava na Câmara quando Maia anunciou o adiamento da votação, o recuo representa uma clara derrota do governo. Mas ele alerta que é preciso manter a pressão, uma vez que o grande esforço de Temer e sua equipe econômica no início de 2018 será para recompor a sua base de apoio na tentativa de garantir os votos necessários. “A orientação é manter a mobilização e intensificar cada vez mais no próximo ano, para barrar de vez essa proposta que coloca em risco o nosso direito à aposentadoria”, ressalta.

Além de Costa Neto, que também é da direção da Fenajufe, esteve no trabalho de sensibilização hoje na Câmara o coordenador da Federação Vicente Sousa. Confira, abaixo, os vídeos gravados pelos dois dirigentes sobre o resultado das mobilizações.

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