6º Congresso do Sindjus – Amarildo destaca a necessidade de aprimorar nossa carreira

Depois das participações da diretora do Sindjus Sheila Tinoco e do reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Junior, foi à vez do secretário de Recursos Humanos do STF, Amarildo Oliveira, ir à tribuna do 6º Congresso do Sindjus. Representado o diretor-geral do Supremo, Alcides Diniz, que não pode comparecer ao evento, Amarildo começou sua fala destacando a importância de um congresso como esse para construir avanços em relação à carreira.

Em sua argumentação, Amarildo diz que nossos planos de cargos e salários sempre ficam reféns da tabela salarial, pois nossa remuneração está sempre defasada. Na elaboração dos dois últimos PCS, isso obrigou a comissão a deixar de lado a importante discussão do desenvolvimento na carreira. Mesmo diante desse cenário, ele destaca o Adicional de Qualificação como um avanço importante que tivemos no último plano. Porém, muito ainda precisa ser feito.

A questão da evolução tecnológica foi uma das preocupações apresentadas pelo secretário de Recursos Humanos para justificar a necessidade de redefinir as atribuições dentro da carreira. Ele cita o exemplo do taquígrafo do STF, uma atividade que praticamente desapareceu, uma vez que aquele tribunal trabalha atualmente com transcrição de texto. Hoje fazemos concurso para uma atividade que amanhã pode não existir: qual será a perspectiva desse servidor ao longo de sua carreira? O que ele fará pelos próximos 15 ou 20 anos?

Para Amarildo, nossa carreira precisa estar antenada com a evolução tecnológica e as demandas da sociedade. Precisamos levar em conta que, num país continental como o nosso, as realidades dentro do Judiciário são muito diferentes. “Comparando os tribunais superiores, por exemplo, com a 1ª instância do interior de estados do Nordeste, encontramos situações díspares, embora façamos parte de uma mesma carreira. Isso tudo precisa ser avaliado nessa discussão”, explicou.

Ele afirmou também que o servidor precisa ver o Judiciário como uma carreira: “O servidor precisa progredir no Judiciário e não fazer do Judiciário uma casa de passagem. Muitos utilizam o Judiciário como uma ponte para carreira melhores, que exigem prática jurídica. Por isso nossa rotatividade de servidores é tão alta. Precisamos de planos que invistam na nossa carreira, para evitar esse problema.”

O secretário revela ainda que o serviço público era atrativo no passado não pela questão remuneratória, mas pelas garantias que dava ao servidor. Garantias que a partir de 1994 passaram a deixar de existir. “Daqui a pouco o regime público não vai conseguir competir com o setor privado. O único diferencial que tínhamos era a estabilidade, mas nem isso está garantido mais. Precisamos de melhor remuneração, de um plano de benefícios mais específico, de capacitação, de participar mais dos rumos da nossa carreira”, afirmou.

Amarildo terminou sua fala desejando a todos um bom congresso: “Há muita coisa mal resolvida na nossa carreira. Precisamos, por meio deste Congresso, levar soluções a toda problemática que vivemos no Judiciário”.

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