Correio Braziliense: Ministério Público, lista tríplice é definida

Eunice Amorim Carvalhido, atual chefe do MP local, conquista 200 votos e vence a eleição entre os colegas. Com bom trânsito político e amigos na cúpula do Judiciário, ela é considerada favorita. Dilma Rousseff não tem data determinada para fazer a nomeação

Foi composta ontem a lista tríplice com os nomes que serão encaminhados à presidente Dilma Rousseff para nomeação do chefe do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) nos próximos dois anos. A atual procuradora-geral de Justiça do DF, Eunice Amorim Carvalhido, que concorre à recondução, ficou em primeiro lugar, com 200 votos. O procurador Eduardo Albuquerque, conquistou o apoio de 169 colegas, e o promotor Maurício Miranda, com 152, também estão na disputa. Participaram da votação 331 membros da classe. Houve quatro nulos e dois em branco.

Os candidatos partem agora em busca de apoio político para a escolha. Não há prazo para a escolha de Dilma. Eunice Carvalhido foi nomeada há dois anos pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mantém aliados importantes no Palácio do Planalto. Ela é considerada favorita. Além do fato de tentar um novo mandato e de figurar como a primeira da lista eleita pelos colegas, Eunice ainda preenche um quesito que tem prevalecido nas nomeações para o mundo jurídico feitas por Dilma: o fato de ser mulher. A questão de gênero não é preponderante, mas é um atributo a mais.

Nos últimos meses, a presidente nomeou a ministra Rosa Weber, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), para o Supremo Tribunal Federal (STF), a desembargadora federal Assusete Magalhães para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a procuradora Simone Lucindo para a vaga do quinto constitucional destinada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Tribunal de Justiça do DF e Territórios. Casada com Hamilton Carvalhido, ministro aposentado do STJ, Eunice tem amigos na alta cúpula do Judiciário. Ela teve ainda a aprovação da própria classe ao ampliar de 155 para 200 o número de votos, em relação à primeira eleição em 2010.

O segundo colocado na lista, Eduardo Albuquerque, também possui conexões políticas que o levaram ao cargo máximo do Ministério Público do DF entre 2000 e 2002. Nomeado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso para o cargo de procurador-geral de Justiça do DF, Albuquerque tem aliados no PMDB. Ele também obteve um desempenho melhor ontem do que há dois anos, quando conquistou 126 votos e não esteve entre os três preferidos pela classe. Em segundo lugar em 2010, Eunice concorreu com os promotores Carlos Alberto Cantarutti, mais votado, e Diaulas Ribeiro.

Promotor do Tribunal do Júri de Brasília, Maurício Miranda conquistou 32 votos a mais do que em 2010. Ex-presidente da Associação do Ministério Público do DF, ele entrou na lista tríplice pela primeira vez, embora sempre participe da disputa.

De fora

Outros três promotores concorreram ontem, mas ficaram fora da lista. A promotora de Justiça Eliane Gazola de Sousa ficou em quarto lugar. Com atuação na área criminal, ela teve 73 votos. Em seguida, o promotor Jairo Bisol, da Pro-SUS (Defesa da Saúde), apareceu como quinto colocado, com 70. Em último, Ricardo Antônio de Souza, promotor do Tribunal do Júri de Planaltina, com o apoio de 47 colegas. Apesar de ser o laterninha, ele conseguiu mais que dobrar o placar anterior. Há dois anos, Ricardo teve 19 votos.

Filho do ex-senador José Paulo Bisol (PSB-RS), vice na chapa de Lula em 1989, Jairo Bisol tem relações políticas importantes e externamente é um dos mais conhecidos integrantes do Ministério Público do DF pela atuação na área na fiscalização dos serviços de saúde. Ele, no entanto, não conseguiu um desempenho que garantisse a inclusão na lista tríplice e a passagem para o segundo turno. O grupo dele não se mobilizou para tentar derrotar a atual procuradora-geral de Justiça, Eunice Carvalhido. Dois nomes que poderiam obter um bom desempenho, José Eduardo Sabo Paes e Rogério Schietti, envolveram-se nos últimos meses na nomeação para ministro do STJ.

No debate entre os candidatos, realizado no prédio do MPDFT na noite de segunda-feira, Bisol defendeu o combate à corrupção. Outros concorrentes trataram mais de questões relacionadas ao funcionamento da instituição e do ambiente de trabalho de promotores e de servidores. Em geral, há uma avaliação de que a gestão de Eunice tem produzido resultados em relação a investigações relacionadas a políticos, principalmente no Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (Ncoc) e nas Promotorias de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep).

Quinto constitucional

Procurador-geral de Justiça do DF entre 2002 e 2004, José Eduardo Sabo Paes concorre na lista tríplice eleita pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) à representação do Ministério Público no quinto constitucional daquela Corte. Os procuradores Sammy Barbosa Lopes, do Acre, e Sérgio Luiz Kukina, do Paraná, primeiro e segundo colocados, respectivamente, também estão no páreo. A presidente Dilma Rousseff vai escolher um dos três para a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Hamilton Carvalhido.

Na disputa

Eunice Amorim Carvalhido

Está no primeiro mandato como procuradora-geral de Justiça do DF. Uma das idealizadoras da criação das promotorias de Defesa do Patrimônio Público, de Meio Ambiente e de Defesa da Ordem Urbanística, está na carreira há 23 anos. Foi presidente da Associação do Ministério Público do DF.

Eduardo Albuquerque

No MPDFT há 28 anos, comandou o órgão entre 2000 e 2002. Participou de todas as eleições para procurador-geral de Justiça na última década. Em 2000, 2006 e 2008, esteve entre os três mais votados.

Maurício Miranda

Na carreira desde 1991, atua no Tribunal do Júri de Brasília, já foi presidente da Associação do Ministério Público do DF. Participou de julgamentos de grande repercussão, como o dos jovens que mataram o índio Galdino. Atua na denúncia do crime da 113 Sul contra Adriana Vilella, filha do casal assassinado.

Fonte: Correio Braziliense

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