Semear educação, colher cidadania

A educação é o tijolo que constrói um outro tipo de pátria, a pátria da cidadania. Por meio dela, as desigualdades sociais, raciais e econômicas serão apagadas da nossa realidade como letras de giz ao passar do apagador. Por meio dela, daremos um futuro concreto a cada um desses alunos que trazem sonho e esperança em suas mochilas. São tantos arquitetos, médicos, advogados, magistrados, professores nascendo das tuas mãos, das tuas falas, do teu ensinar. O ato de educar é dimensionado de forma tamanha que não se mede pelos mecanismos já inventados. Dessa forma, educar deixa de ser um verbo para ser um sentimento de partilha, de doação, de bem-comum.

Ser educador é despertar o sentido da humanidade em um mundo ainda em formação. Formação, sobretudo, de cidadania. No entanto, educar é um ato ainda não descoberto em sua totalidade. Sabe-se de sua importância, mas ainda não se vive o educador por inteiro. Por exemplo, os discursos sempre tangem para um futuro construído a partir da educação, que os professores precisam ser valorizados, que a educação deve ser prioridade absoluta em qualquer vida, governo, nação, todavia, há dificuldades em consolidar esse discurso. Por isso, educadores são guerreiros. Guerreiros de uma missão, de uma causa, de uma pátria ainda não nascida. Afinal, a pátria da educação ainda não veio ao mundo. Não como deveria.

Mas isso não é motivo de desânimo e sim, de coragem de seguir em frente. A cada aula, a cada ensinamento, a cada olhar de satisfação de um aluno, essa pátria se torna mais próxima. Os homens cidadãos e as mulheres cidadãs, de direito e de fato, nascem de uma transformação, de um “big ban cultural”. E não há maior transformação do que aquela advinda da educação. Mudar é difícil, mas é possível. E você sabe disso. A proximidade com a Justiça me fez ver que os educadores podem desenvolver seu trabalho fora dos limites da sala de aula. A educação voltada à cidadania desenvolve-se independentemente de hora e espaço. Basta ter vocação para levar esse propósito adiante e fecundar uma nova civilização. Uma civilização verdadeiramente democrática, humana, crítica, atuante, que aprende e ensina com a mesma intensidade.

Para tanto, a educação não deve se resumir aos princípios acadêmicos, mas fazer uso dos sentidos. Os direitos à cidadania, à justiça, à dignidade humana compõem um leque de fundamentos que concede sentido à caminhada educadora que nos move. Haverá um dia em que a carreira dos professores será valorizada de forma justa. Haverá um dia em que se compreenderá que a fomentação de uma cultura cidadã é mais importante do que a promoção das desigualdades. Haverá um dia em que os educadores serão aclamados como heróis, legítimos fundadores de uma pátria chamada cidadania. Enquanto esse dia não chega, receba os aplausos de quem acredita no nascimento de uma nova pátria a partir da educação e dos educadores.

Roberto Policarpo
Coordenador-geral do Sindjus

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