A nova gestão da CUT e as lições da natureza

Jacy Afonso é secretário Nacional de Organização e Política Sindical da CUT

Como diria um velho amigo sindicalista, apesar da ação predatória dos homens, a natureza mantém seu ciclo de renovação, é assim com as quatro estações do ano: o outono e o inverno trazem o recolhimento e o planejamento, no inverno, tudo parece morto, mas a primavera e o verão trazem o renascimento e a renovação, vida nova e alegria. E assim acontece na nossa vida, e assim acontece na nossa militância e assim deve acontecer na CUT.

Acabamos de sair de um mandato, foram 03 anos de desafios, encontros e desencontros, e muito amadurecimento, sempre! Um novo ciclo se inicia, mais três anos, e a CUT carrega consigo seus 26 anos de experiência.

Dia 10 de agosto, a CUT Nacional fervia, muita gente, dirigentes e funcionários, reuniões em vários cantos, nada de recesso para descanso depois da maratona do Congresso, trabalhávamos a todo vapor. Começamos bem! Apesar de cansados, somos militantes que acreditam na CUT, na sua responsabilidade e capacidade de produzir o novo, de semear pelo Brasil a organização da classe trabalhadora que um dia será a voz mais forte, e como diz o metalúrgico de São Bernardo, “que ninguém mais ouse duvidar da capacidade de luta da classe trabalhadora“. Esta é a CUT.

Mas o que esperar de novo? Qual é a vida nova que renasce depois do CONCUT? Quais são as flores que despontam? Elegemos uma nova Direção Nacional e uma Nova Executiva. Se por um lado é verdade que o poder emana de cada trabalhador e de cada trabalhadora na base, também é verdade que pesa sobre a direção eleita a responsabilidade de ouvir e transformar em ação o que o Congresso delibera, é nas mãos da Direção que está a responsabilidade de executar.

Dentre os muitos desafios que a CUT tem hoje e os que a esperam em 2010, um é condição primordial, tem sido pauta de vários debates e apareceu no Congresso: atualizar o modelo organizativo da Central para atender às novas exigências da classe trabalhadora. Mas o que significa atualizar o modelo organizativo da Central? Significa dizer que ela deve garantir que sua organização interna e seus fóruns de deliberação atendam, antes de qualquer coisa, ao objetivo central da CUT: organizar e representar a classe trabalhadora brasileira na defesa de seus interesses. Este princípio não muda; a estrutura, porém, deve mudar se não atender a ele; e é preciso nos perguntar o tempo todo a que objetivos a estrutura organizativa da central e sua dinâmica de funcionamento estão atendendo?

Se tomarmos como referência o período anterior, devemos nos perguntar qual tem sido o papel da Direção Nacional? Entre nós, devemos ser honestos, a Direção Nacional não cumpriu seu papel de debate dos eixos centrais da ação política sindical da CUT, as reuniões eram encontros maçantes, onde arrastávamos uma extensa pauta, difusa e desconecta. Temos na Direção Nacional, a partir da alteração estatutária que aprovamos no Congresso, 117 membros, representantes de todas as Estaduais, Federações Nacionais e Confederações, ali estão todos os estados e categorias profissionais representados, a classe trabalhadora do Brasil está representada na Direção Nacional da CUT. Não é aceitável que a política da Central seja discutida e definida sem passar pelo debate amplo e democrático dentro da Direção Nacional, pois é a ela que caberá definir os eixos centrais da ação da CUT.

À Direção Executiva caberá executar aquilo que na Direção Nacional foi deliberado. A Direção Nacional deverá realizar um debate aprofundado e definir os eixos macros da ação sindical, que a Executiva deverá transformar em ação concreta através de suas deliberações.

Mais uma vez, chamo todos para um debate franco, pois isto exigirá de nós mudanças práticas. Uma delas nós já garantimos, a Direção Nacional está composta por membros fixos, estão nela os presidentes das estaduais e confederações. Mas é preciso que a Reunião da Direção seja tratada com toda a importância que ela tem para a política da Central, e isto exigirá um esforço grande na definição da pauta e no comprometimento de participação de todos. À Executiva caberá objetividade e eficiência, vamos limpar a pauta, eliminar o retrabalho, eliminar as discussões estéreis.

À estrutura administrativa e à assessoria caberá a responsabilidade de garantir os recursos e os instrumentos necessários para a execução das ações. Será necessário continuar o processo de modernização das estruturas da Central, modernizar a administração e a comunicação.

É assim que se constrói, ano após ano, estação após estação, uma Central Combativa e de Luta, uma Central Autônoma, que faz seus próprios caminhos superando seus limites, não se acomoda porque é capaz de ousar e acredita na primavera.

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