Greve: Voltar a trabalhar só depois que for garantida a negociação dos nossos projetos e a negociação dos dias parados

As ameaças de corte de ponto não intimidaram os servidores da Justiça em Brasília, que ontem (9/6) ocuparam as laterais do STF para a realização de mais um ato público. Para Berilo Leão é a unidade da categoria em torno da greve que está forçando o governo a iniciar uma negociação. Apesar de uma repressão cada dia mais forte, nos dois últimos dias começamos a ver nas negociações realizadas pela manhã na Comissão de Trabalho, de Administração e de Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados.

Depois que a deputada federal Manuela D`Ávila (PCdoB/RS) apresentou um requerimento solicitando que o PL 6613/09 fosse votado ainda ontem, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT/SP) teve de ir à Comissão para convencer os deputados da CTASP a não votarem o projeto.

O argumento do líder governista era de que a votação só deveria ocorrer quando o acordo já tivesse sido selado entre o Executivo e o Judiciário. Os servidores e os deputados que defendiam a votação argumentavam que a votação deveria ocorrer para forçar o governo a encontrar uma solução para o impasse. Ao final, ficou acertado que o projeto 6613/09 será o primeiro item da pauta na próxima reunião da CTASP, na próxima quarta-feira (16/6) e que será votado, mesmo que não haja acordo.

Vaccarezza também se comprometeu a aprovar, caso o acordo seja firmado, o pedido de urgência para que o PL 6613/09 seja votado diretamente em plenário. Não precisando, portanto, passar pelas demais comissões. Pedido semelhante também será feito em relação ao PL 6697/09, que trata dos servidores do Ministério Público da União e está parado na Comissão de Finanças.

Outro avanço obtido ontem na Comissão de Trabalho foi o compromisso, assumido por todos os deputados presentes, de que nenhum deles apresentará pedidos de vista ao projeto, o que atrasaria o trâmite da proposição.

O sindjus alerta, no entanto, sobre a necessidade de a categoria se manter mobilizada. O governo sinaliza que vai ceder, mas vai depender da posição firme do STF em torno dos pleitos da categoria e da nossa disposição em não recuar da greve. afirmou. Graças à nossa mobilização, demos passos significativos em busca de um acordo, mas não podemos esmorecer.

Ações – Para esta quinta-feira (10/6) estão previstas várias atividades. Pela manhã, diretores do Sindjus vão se reunir com o secretário-geral do TST para tratar do corte de ponto no local. O Sindicato também está tentando marcar uma reunião no STM. “Vamos buscar diminuir o ímpeto da posição contrária à greve”, informou Leão. O Sindicato também tem conversado com integrantes da OAB e da CUT em busca de apoio à mobilização.

“Além disso, estamos nos preparando para fazer denúncias na OIT contra as medidas que buscam cercear nosso direito de greve e estamos agravando todas as liminares contrárias à nossa mobilização”, adiantou Leão.

Ato Público – Um novo ato público está marcado para hoje (10/6), às 15h, em frente ao STJ. Os servidores vão mostrar, mais uma vez, que estão dispostos a continuar na greve até que saia o acordo. Nessa quarta-feira (9/6) o ano público contou com a participação da emboladora Martinha do Côco, que levou os manifestantes a dançarem ciranda. Antes dela, o servidor Lucas, do STF, ocupou o microfone e cantou a melô do PCCR.

Em ritmo de lambada, a música chamava os que não aderiram à greve a engrossarem o movimento. “Ei você que está sentado aí, na sua cadeira a esperar, larga esse comodismo aí, e desce aqui, vamos lutar”, dizia a melô, que era acompanhado por uma coreografia idealizada pelos próprios manifestantes.

O agente de segurança do TJDF Aluisio Clemente era um dos participantes da coreografia. Há 19 anos como serventuário da justiça ele disse que nunca tinha participado de uma greve em que os tribunais superiores tenham feito tanta pressão contra os grevistas.

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